Ministra renuncia por discordar de projeto de retirada da nacionalidade francesa

Privação já existia na França, mas só para binacionais que adquiriram nacionalidade ao longo da vida

Por clarissa.sardenberg

França - A ministra da Justiça da França, Christiane Taubira, apresentou nesta quarta-feira sua renúncia ao presidente François Hollande, com quem tinha se desentendido publicamente sobre a reforma constitucional para permitir retirar a nacionalidade francesa dos cidadãos com dupla cidadania condenados por terrorismo.

Em sua conta no Twitter, Taubira, em sua primeira reação ao anúncio de sua saída do governo, afirmou que "em alguns casos, resistir é ficar, em algumas ocasiões resistir é ir. Por fidelidade a si mesmo, conosco. Pela última palavra à ética e ao direito".

Christiane Taubira vinha se desentendendo com Hollande sobre retirada da nacionalidade francesa Reuters

A privação já existia na França, mas só para binacionais que adquiriram nacionalidade ao longo da vida. A oposição de direita e extrema-direita passou a exigir a extensão da medida aos binacionais nascidos no país depois dos atentados de 13 de novembro de 2015. Atualmente, a França tem 3,5 milhões de binacionais.

Em comunicado, o Eliseu explicou que Hollande aceitou a renúncia de Taubira e que ambos concordaram em encerrar suas funções à frente do departamento de Justiça no mesmo dia em que se inicia na Assembleia Nacional a tramitação da reforma constitucional. Ela será substituída pelo deputado socialista Jean-Jacques Urvoas, presidente da comissão legislativa da Assembleia, que defenderá no parlamento junto do primeiro-ministro, Manuel Valls, a reforma promovida pelo chefe do Estado após os atentados jihadistas de 13 de novembro em Paris.

Urvoas também será responsável por preparar um projeto de lei para reforçar a luta contra o crime organizado e de trabalhar na reforma do procedimento penal. Hollande mostrou "seu reconhecimento" pela ação de Taubira à frente do ministério da Justiça, e em particular para legalizar o casamento homossexual, que enfrentou uma forte mobilização nas ruas organizada por coletivos conservadores.


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