Por claudio.souza

Rio - O aumento do preço do diesel cria mais pressão sobre as tarifas de ônibus urbanos, congeladas desde janeiro, quando deveriam ter ocorrido os últimos reajustes anuais previstos nos contratos de concessão das maiores cidades do país. O peso do combustível nas passagens de ônibus é de aproximadamente 20% e, segundo Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU), o impacto do novo preço do insumo, anunciado pela Petrobras, na última sexta-feira, será de 1,91%. Entretanto, os empresários alegam que o aperto é bem maior e justificam que alta do combustível acumulada no ano é de 17%, o que gera um impacto nos custos de 4,05%. Esse foi o terceiro reajuste concedido neste ano.

O presidente da NTU, Otávio Cunha, avalia que não há clima político para que as prefeituras, que têm o poder concedente do transporte, determinem novo aumento, ainda mais em ano eleitoral. “O sentimento é que não existe um ambiente favorável. As manifestações pararam, mas não sabemos a reação da sociedade em face a um possível aumento. É temerário, mas a sociedade precisa refletir. Não é uma questão de lucro. Você só consegue equilibrar o custo (com as tarifas atuais) com a redução do serviço e da qualidade do transporte e não é isso que a sociedade quer”, avalia Cunha.

Corredores BRS reduzem custos, mas empresas alegam que não são suficientesAgência O Dia

As perspectivas nas duas maiores cidades brasileiras são diferentes, no entanto. Enquanto o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, antes mesmo do anúncio da Petrobras, já havia defendido novo reajuste em janeiro, em São Paulo, o governo Fernando Haddad informou ontem que não há previsão de aumento da tarifa, no momento.

Os contratos de transporte urbano das duas cidades prevêem reajustes anuais em janeiro. Entretanto, a pedido do governo federal, por causa da preocupação com a inflação, este ano o aumento foi adiado para junho. Após o anúncio dos famosos reajustes de R$ 0,20 (para R$ 3,20, em São Paulo, e para R$ 2,95, no Rio), explodiram os protestos nas ruas, e os dois prefeitos voltaram atrás.

Em São Paulo, impacto nos custos deve ser de 1,66%

Na cidade de São Paulo, o peso do diesel nos custos das empresas de ônibus é de 20%, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU), e o repasse do aumento pelas distribuidoras às empresas de ônibus foi em média de 8,3%. Com isso, o impacto nos gastos foi de 1,66%. “O repasse dos preços varia de cidade para cidade. Além da tributação local, tem os gastos com transporte que as distribuidoras incluem em seus preços”, explicou o presidente da NTU, Otávio Cunha.

No Rio, a associação das empresas de ônibus, a Rio Ônibus, informou que as distribuidoras de combustíveis anunciaram repasses de 7,5% a 8%. Como o peso do combustível é de 21%, o impacto nos custos seria de 1,68%.

“O aumento anunciado pressiona ainda mais o setor, que está há quase dois anos sem reajuste da tarifa (o último aconteceu em janeiro de 2012). Isso dificulta o equilíbrio econômico -financeiro e reduz a capacidade de investimentos dos consórcios”, informou a Rio Ônibus, em nota.

A Secretaria Municipal de Transportes do Rio não comentou o assunto a tempo do fechamento desta edição. Para Cunha, a tendência nacional é que as prefeituras optem por dar subsídios, como, no caso de São Paulo, que prevê R$ 1,25 bilhão de recursos públicos em 2013. “Precisamos enfrentar a realidade. Reclama-se hoje do serviço ofertado, mas se ele é de baixa qualidade é porque tem o entrave de que só a tarifa é que paga o serviço. A sociedade precisa dividir essa conta, com a criação de fundos para transporte”, avalia.


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