Biometria chega ao transporte público

Municípios fluminenses adotam tecnologia para evitar fraudes, que chegam a R$ 40 milhões por mês

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Cerca de R$ 40 milhões por mês. Este é o custo estimado das fraudes no sistema de gratuidades nos ônibus em todo o Estado do Rio, considerando uma tarifa média de R$ 3. De acordo com a RioCard, empresa responsável pela bilhetagem eletrônica no estado, para cada três passageiros que usam o benefício, um deles não teria o direito a passar de graça nas roletas.

Para inibir esta prática, alguns municípios estão adotando a identificação biométrica, pela qual o cartão do usuário só é validado quando ele apresenta as digitais. Depois de Friburgo e Teresópolis, que já usam esta tecnologia, a partir de abril, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá e Maricá, na Região Metropolitana, dotarão os 3,7 mil coletivos com o novo sistema.

Especialista explica que fraudes prejudicam todo o sistema e que%2C no fim das contas%2C pesam na passagemAgência O Dia

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Rio de Janeiro (Setrerj), foram gastos R$ 7,2 milhões em equipamentos e infraestrutura. O processo de recadastramento e recolhimento das digitais dos estudantes da rede pública, maiores de 65 anos e pessoas com necessidades especiais terminou em julho do ano passado. O presidente do Setrerj, Márcio Barbosa, disse que as cidades já receberam um projeto piloto e todo o processo de recadastramento foi autorizado por Decretos Municipais, precedidos de visitas, para esclarecimentos, ao Ministério Público e às secretarias municipais de Educação.

“Fizemos uma grande campanha de chamada para o recadastramento. Colocamos cartazes em todo o sistema de transporte, escolas, secretarias municipais, além de usar as rádios locais, carro de som e folhetos nas áreas de grande circulação de pessoas”, disse.

O especialista em Mobilidade Urbana da Universidade Estadual do Rio de Janeiro Alexandre Rojas lembra que sempre tem alguém pagando a conta das gratuidades. “Não adianta dizer que não. A conta das gratuidades estão no custo das passagens e quem paga isso hoje no Rio é o usuário, uma vez que as prefeituras não dão subsídios”, analisou o especialista, lembrando que as fraudes impactam todo o sistema, encarecendo ainda mais as tarifas para os usuários pagantes. Ao todo, são 40 milhões de gratuidades por mês, que representam 22% das 180 milhões de viagens mensais no Estado do Rio de Janeiro.

Sem previsão de instalação

O especialista em Mobilidade Urbana da Uerj Alexandre Rojas avalia que, politicamente, é delicado para algumas prefeituras aderirem à biometria no combate à fraude na gratuidade no sistema de transporte público. “Muitos passageiros não se tocam de que estão fazendo uma coisa errada, prejudicando todo o sistema. Existe essa cultura no Brasil e o político nem sempre quer contrariar esses eleitores”, explica.

Na cidade do Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) informou que “não há novidades sobre o assunto”, embora equipes da prefeitura já tenham se reunido algumas vezes com representantes da RioCard para tratar desse assunto.

O sistema começa a funcionar em Niterói e São Gonçalo em abrilDivulgação

Rojas ressaltou ainda que a tecnologia precisa ter rapidez para não gerar filas nas catracas. “Vai ser um bom teste fazer isso em cidades menores antes de chegar à capital. Isso ainda é muito recente. Tem que testar bastante para ver se vai dar certo.”

A diretora da RioCard Cartões, Renata Faria, reforçou que as fraudes são da ordem de 30% nas gratuidades do sistema de transporte do Estado do Rio, mas que estes números não refletem necessariamente um rombo financeiro, uma vez que muitos destes usuários deixariam de pegar o ônibus se tivessem de pagar as tarifas.

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