Por marlos.mendes

Rio - Para que as cidades médias não venham a sofrer a crise de mobilidade já enfrentada pelas metrópoles brasileiras, o governo federal passou a dar atenção também aos investimentos em transportes nas áreas urbanas de 250 mil a 700 mil habitantes. Segundo o Ministério das Cidades, os projetos de mobilidade desses municípios, listados para receber recursos federais, já somam R$ 7 bilhões.

O valor é quase 10% das solicitações para a área desde que a presidenta Dilma Rousseff anunciou o Pacto da Mobilidade, em junho do ano passado. Ao todo, governos estaduais e prefeituras apresentaram projetos de transportes que somam R$ 80 bilhões, dos quais o governo federal já anunciou a liberação de cerca de R$ 30 bilhões.

O Ministério das Cidades, que faz a gestão dos recursos do PAC da Mobilidade e das Médias Cidades, não informou o valor total dos projetos de mobilidade liberados somente para cidades de médio porte, mas revela que 50 municípios de 250 mil a 700 mil habitantes tiveram projetos de mobilidade aprovados para receber os recursos federais.

Há duas semanas, ao anunciar a liberação de recursos para Palmas, no Tocantins, e João Pessoa, na Paraíba, Dilma ressaltou a preocupação do governo com as áreas urbanas de médio porte. “Nas médias cidades, nós temos que tomar providências e investir para que elas não cheguem a ter os problemas que as grandes tiveram no passado”, afirmou a presidenta.

A professora de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eva Vider, lembra no entanto que até as cidades de menor porte já estão atrasadas em relação à demanda por transportes. “Tanto as cidades médias quanto as grandes cresceram sem que o transporte pudesse acompanhar. Ainda dá tempo de corrigir, mas os investimentos têm de ser permanentes”, avalia ela, lembrando a importância de se fazer estudos de demanda para orientar os projetos de mobilidade.

O professor de Administração especializado em Mobilidade Urbana da Universidade Federal Fluminense (UFF), Aurélio Murta, também ressalta a importância da continuidade dos investimentos. “Os recursos são, às vezes, usados em soluções imediatistas. Em vez de se fazer um metrô, que vai levar mais tempo para ficar pronto, fazem um BRT, cujas obras são mais rápidas, mas que terá menor capacidade de transporte”.

Sistemas de BRT estão entre principais projetos aprovados

Entre os 50 municípios de médio porte que já foram contemplados com a aprovação de projetos de mobilidade com recursos federais estão Londrina, no Paraná, Joinville, em Santa Catarina, Palmas, no Tocantins, João Pessoa, na Paraíba, Ribeirão Preto, em São Paulo, e Uberlândia, em Minas Gerais. Os corredores de BRT são os principais projetos dessas cidades de 250 mil a 700 mil habitantes.

Em Londrina, foi aprovado pelo Ministério das Cidades a construção do BRT que terá investimentos de R$ 143 milhões, dos quais R$ 124 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal. Serão dois corredores, um com 13 quilômetros e 13 estações, e outro com 10 quilômetros e 11 estações.

Joinville, em Santa Catarina, também entrou no PAC das Médias Cidades, com aprovação de financiamento de R$ 104 milhões para a construção de 55 quilômetros de BRT.

Entre os R$ 310 milhões previstos para os projetos de mobilidade de Ribeirão Preto, estão também previstos 56 km de corredores de ônibus. A cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, que já conta com um sistema de BRT, também está construindo mais um corredor de ônibus.

Matéria publicada no Brasil Econômico 

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