Reclamações contra ônibus na central 1746 caem 31% no ano

Não atendimento aos sinais de paradas continua a ser a principal queixa dos passageiros

Por marlos.mendes

Rio - As reclamações dos cariocas sobre os ônibus urbanos estão diminuindo. Pelo menos, é isso o que os números do serviço 1746, a Central de Atendimento ao Cidadão, da prefeitura, mostram. Segundo o órgão, no acumulado de 2014, até o dia 2 de setembro, foram 37.900 ligações para criticar os coletivos das linhas municipais, contra 55 mil no mesmo período de 2013, um recuo de 31%. Fazer sinal para um ônibus na cidade e não ser atendido continua como a principal queixa dos passageiros.

O 1746 recebeu, em 2014, 12.376 denúncias sobre motoristas de ônibus que não pararam nos pontos. A central de atendimento não divulgou os dados dessa reclamação especificamente, em 2013, para a comparação. Entretanto, dados da ouvidoria da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) apontam tendência de redução dessa infração. O órgão informou que, de janeiro a julho, recebeu 6.297 denúncias sobre motoristas de ônibus que não atenderam à solicitação de parada, 30% a menos do que aferiu em igual período de 2014 (9.057).

Na área da Lapa, a aposentada Ana Maria Antunes reclama que ainda há muitos motoristas que não atendem aos sinais de parada no pontoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

O comportamento indevido do condutor (6.138 chamadas), a escassez de ônibus (5.326), a má conservação da frota (2.890) e o excesso de velocidade (2.774) completam a relação das cinco principais queixas dos usuários ao serviço 1746. As linhas mais criticadas pela população até este mês, segundo a central de atendimento, foram a 302 (Rodoviária-Recreio, do consórcio Transcarioca), a 330 (Praça 15-Parque União, do consórcio Internorte) e a 422 (Grajaú-Cosme Velho, do consórcio Intersul).

A Rio Ônibus ( associação das companhias) informou que as empresas intensificaram fiscalização sobre o atendimento às paradas. Além disso, o programa de reciclagem dos motoristas ‘No Ponto Certo’ completa um ano neste mês. Na primeira fase, foram ministradas palestras de atualização para 12 mil dos 18 mil motoristas da cidade. A adesão ao programa é facultativa.

“Mais do que um treinamento, procuramos conscientizar os rodoviários sobre a importância da boa relação com o passageiro”, disse Marcia Calçada, gerente da Universidade Corporativa do Transporte, vinculada à Fetranspor e responsável pelo programa.

No ponto, críticas ainda são muitas

Apesar da diminuição das queixas no serviço de atendimento da prefeitura, nos pontos de ônibus as reclamações de passageiros continuam constantes, principalmente quando o assunto é o não atendimento ao sinal de parada.

Na altura do número 16 da Rua Riachuelo, na Lapa, na tarde de sexta-feira, muitos usuários de ônibus reclamavam da infração por motoristas da linha 497 (Penha-Cosme Velho). “Tem muito motorista do 497 que não para”, disse a aposentada Ana Maria Antunes, apontando a linha como a campeã desse tipo de reclamação na área.

À espera do mesmo ônibus, o cozinheiro Francisco Mattos fazia coro. “É o único ônibus que posso pegar para chegar ao meu trabalho. Além de demorar a passar, às vezes, não para. Aí, chego atrasado”, reclamou. Logo depois das entrevistas, ainda no mesmo ponto, a equipe do DIAflagrou um coletivo da linha C-10 (Bairro de Fátima-Central) não atendendo a sinais de parada.

Reportagem de Paulo Mauricio Costa

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