Dura rotina para um milhão de pessoas que se deslocam pelo estado

Um enorme contingente precisa se locomover todo dia entre cidades para estudar ou trabalhar

Por nicolas.satriano

Diariamente Rafael Freitas sai de São Gonçalo para trabalhar no Rio Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Rio - Um milhão de pessoas se deslocam diariamente entre os municípios do estado. O fluxo acontece com mais frequência entre Niterói e São Gonçalo (120,3 mil pessoas), Duque de Caxias e o Rio (119 mil) e entre Nova Iguaçu e a capital (109,6 mil). Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE. Para a análise, o estudo considerou a quantidade de habitantes que vão de uma cidade a outra para trabalhar ou estudar.

De acordo com o levantamento, o Estado do Rio é o segundo do país em volume de deslocamentos diários entre municípios. O primeiro é São Paulo. O estudo divulgado utilizou dados do Censo de 2010. No Brasil todo, o número de pessoas que vão de uma cidade a outra todo dia é 7,4 milhões.

A estudante Fernanda Domingos%2C de 16 anos%2C vem todo dia de Nova Iguaçu para o Centro. “Preferia fazer estágio lá%2C mas tem pouca vaga”%2C dizUanderson Fernandes / Agência O Dia

Para o pesquisador do IBGE, Mauro Sergio Pinheiro, o fenômeno é fruto do inchaço populacional em territórios reduzidos. “A urbanização brasileira se concentrou muito no Sudeste. A gente percebe isso em grandes centros urbanos do mundo, como Tóquio e Nova York. Populações imensas morando em lugares cada vez mais concentrados”, disse o pesquisador.

Segundo ele, estimular o desenvolvimento dos municípios pode ser uma solução. “Qualquer atividade econômica de grande impacto altera essas relações e retém as populações dentro do seu município. Elas deixam de precisar sair de suas cidades para trabalhar”, argumentou Mauro Sérgio Pinheiro.

Com a economia concentrada na capital fluminense, trabalhadores têm de enfrentar longas viagens. “Me estresso muito mais no trânsito do que no trabalho”, disse Rafael Freitas, de 33 anos. Morador de São Gonçalo, o assistente administrativo perde cerca de 4h diárias no trânsito para chegar à Praça Mauá, onde trabalha.

Há cinco meses, a estudante Fernanda Domingos, de 16 anos, vai todo dia de Nova Iguaçu para o Centro do Rio. “Preferia fazer estágio lá do que no Rio, mas não faço porque tem pouca vaga onde moro”, disse.

Falta investimentos na periferia

Segundo o especialista em Urbanismo e professor da UFRJ Mauro Osório, é necessário investir em polos geradores de emprego na Região Metropolitana.

“A periferia metropolitana do Rio continua sendo muito mais dormitório que as de outras cidades, como São Paulo e Belo Horizonte. A quantidade de empregos formais nestas regiões periféricas é muito pior do que na capital”, explicou Mauro.

“É preciso ampliar a estrutura produtiva da região, com investimento em infra-estrutura para atrair indústrias. As condições ainda são muito ruins. São necessários investimentos em energia elétrica e telecomunicações, entre outros setores”, afirmou.

Segundo ele, também há disparidade dentro da capital, como na área da Barra e do Recreio, com 27% da população e 7,9% dos postos de trabalho; e o Centro, com 37% do emprego e 4,7% dos habitantes.

70% de empregos no Rio

De acordo com Vicente Loureiro, coordenador da Câmara Metropolitana do Rio de Janeiro, mais de 70% dos empregos metropolitanos estão na cidade do Rio.
“Sem reverter essa lógica, fica muito pesado para qualquer sistema de transporte dar conta deste desafio”, comentou.

Segundo o estudo do IBGE, apesar da distância, o eixo Rio de Janeiro — São Paulo apresenta um movimento de 13,4 mil pessoas, 57,7% delas se deslocando diariamente somente em função do trabalho, e 40,5% devido ao estudo.

Reportagem de Flora Castro e Lucas Gayoso

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