Por nicolas.satriano

Rio - O bom motorista de ônibus dirige com segurança, para no ponto, é educado, respeita as normas de trânsito e atende às solicitações de parada dos passageiros, exige o código de conduta da profissão no Rio. Porém, as 7.039 queixas recebidas pela prefeitura sobre os 17 mil condutores do município, só nos seis primeiros meses deste ano, revelam que muitos ainda descumprem as regras. Mas a insatisfação dos cariocas pode estar diminuindo.

Um raio-X no canal 1746 mostra que as reclamações pela má atuação do motorista caíram continuamente nos últimos dois anos, acumulando redução de 47%. De janeiro a junho de 2013, 13.477 passageiros ligaram reclamando do serviço prestado. Não parar no ponto, comportamento indevido e excesso de velocidade continuam a liderar as queixas.

Thamiris Alves percebeu melhorias%2C mas disse ainda ser comum ver motoristas parando no meio da ruaAgência O Dia

“Os números ainda são muito altos, mas há um sinal importante: estão diminuindo. Isso deve ser ressaltado para mostrar que não existe nada que não possa melhorar. É fundamental que a população continue comunicando os problemas, porque essa é a denúncia do bem, que surte efeito e vale a pena”, aposta Thereza Lobo, coordenadora executiva do Rio Como Vamos, ONG que monitora o desempenho dos serviços públicos na cidade.

Há quem acredite que as críticas tenham encolhido devido à sensação de não ter a reclamação atendida. No entanto, considerando todos os serviços municipais, o canal 1746 recebeu 20 mil queixas a mais até junho de 2015 do que no mesmo intervalo em 2013. “Ano passado, fiz umas dez reclamações da linha 358, e nada foi feito. Reduzi as ligações porque parecia que investir tempo nisso não valia a pena”, conta o estudante Guilherme Braga, de 21 anos. 

Jogadas na mesa todas as reclamações sobre o setor de ônibus (incluídas condições da frota, escassez de veículos, intervalos irregulares etc), o descontentamento popular gerou 23.972 acionamentos ao 1746 no primeiro semestre de 2013. Em 2014, foram 16.957 em igual período. De janeiro a junho deste ano, foram 15.492, uma queda de 8,6%, na comparação com 2014, e 35%, em relação a 2013.

“Percebo melhora, mas muitos motoristas ainda param no meio da rua, andam rápido demais ou descem do ônibus e deixam os passageiros esperando”, diz a garçonete Thamiris Alves, 22.

Capacitação explica bons resultados

Na avaliação do Rio Ônibus, sindicato das empresas de transporte, a queda das reclamações estaria atrelada a um programa da Universidade Corporativa do Transporte (UCT) que já capacitou todos os motoristas do Rio desde 2013.

“Eles incorporaram sentimentos como responsabilidade com a vida humana e cidadania”, explica Marli Piay, gerente de Gestão de Pessoas do Rio Ônibus. Segundo Ana Rosa Bonilauri, diretora da UCT, os rodoviários do início do curso foram os próprios autores do código de conduta.

“Desde janeiro, diminuíram as queixas de motoristas que não param no ponto para idosos e estudantes. A cobrança dos empresários por quantidade de passageiros pagantes acabou por causa dos R$ 0,13 incluídos na tarifa, no último reajuste, que compensa as gratuidades”, assinala Sebastião José da Silva, vice-presidente do sindicato de motoristas.

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