Leda Nagle: É pra já!

Tudo volta ao ‘normal’, ou seja, voltam a sujeira, produtos vencidos e a falta de cuidado com o que a gente paga caro

Por bferreira

Rio - O assunto já domina as conversas nossas do dia a dia. Como está caro ir ao supermercado! Passou a fase do tomate, o momento é do feijão, que praticamente dobrou de preço. Como, infelizmente, não foi só ele, a todo instante alguém se assusta com o tamanho do prejuízo. O motorista de táxi sisudo reclama que pagou R$ 350 por cinco sacolinhas de alimento. A amiga que chegou de viagem em vez de contar as maravilhas de Berlim começa o telefonema falando das compras que fez, depois de um mês fora do país, e do susto que levou com o aumento dos preços. Mas tem outra coisa que assusta, a cada dia mais, numa ida ao supermercado. A sujeira.

Os alimentos fora da validade. Os congelados quase descongelados. Os vazamentos de água. O mau estado das carnes, frangos e embutidos. A irresponsabilidade dos negociantes da área, que prestam um serviço de péssima qualidade, parece não ter fim, mesmo sabendo que um dia a fiscalização pode chegar. Mesmo sabendo que o consumidor pode denunciar. Mesmo sabendo que podem ser multados. Eles não tem medo de nada, nem da multa, nem da perda de credibilidade e confiança da população. O Procon Carioca multou várias redes de supermercado em diferentes pontos da cidade nos últimos 20 dias. De Copacabana ao Méier, do Leblon à Tijuca. Em estabelecimentos de luxo e em locais mais populares, em todos eles, havia produtos estragados. Na Ilha do Governador, foram encontrados 360 quilos de alimentos impróprios para o consumo.

Em São Conrado, 132 quilos. Nos dois casos a multa foi de R$ 46.123,80, que convenhamos não é barata. A fiscalização não pode parar mas nós, os consumidores, vamos ter que tomar uma atitude e virar fiscais também, até porque, passados poucos dias ou horas da visita dos fiscais, tudo volta ao “normal”, ou seja, voltam a sujeira, produtos vencidos e a falta de cuidado e respeito com o que a gente paga caro para adquirir. Hoje em dia uma pessoa pode apontar um mau serviço, pela internet, através das redes sociais, com muito mais facilidade e eficiência do que antigamente.

O Procon Carioca, por exemplo, tem página no Facebook . E aproveitando a oportunidade vale lembrar que é preciso também prestar atenção não só nas datas de validade, mas também nas informações nutricionais dos alimentos. Uma pesquisa feita em nove países pelo Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) descobriu que o brasileiro é o povo que menos lê as informações nutricionais contidas nos rótulos dos alimentos, onde estão escritas as quantidades de sódio, de gordura e de outras coisitas mais. Antes que a gente adoeça é preciso tomar uma atitude. Ou mudar de atitude.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia