Claudio Nasajon: Coerência nas manifestações

Nos últimos dias, assisti, com orgulho, ao nosso país clamar ativamente por mudanças

Por O Dia

Rio - Nos últimos dias, assisti, com orgulho, ao nosso país clamar ativamente por mudanças. Afinal, como dizia Martin Luther King, o que mais preocupa não é a ação dos culpados, mas a omissão dos inocentes. Lamentavelmente, percebi também que a mobilização tem sido mal utilizada. Passeatas são uma forma muito eficiente de cobrar do poder público, mas precisam ser coerentes com as atitudes de quem delas participa.

Acho legítimo marchar “conta a corrupção”, mas conheço ‘ativistas’ que pagaram para passar na prova do Detran ou compraram uma carteira de estudante para pagar meia no cinema. Ora... Não existe corrupção sem corruptores. Reclamar dos corruptos, mas alimentar o sistema como agentes ativos é, no mínimo, incoerente.

Acho legítimo se fazer presente em passeatas contra a PEC 37, um flagrante casuísmo para livrar os envolvidos no Mensalão, mas poucos são os manifestantes que se dão também ao trabalho de monitorar os políticos que ajudaram a eleger, enviar-lhes cartas, postar em seu Facebook e compor, ou não, a base de eleitores que garantirá os próximos mandatos. Cobrar ação política é muito mais eficiente quando se exigem dos representantes explicações daquilo que fazem em nosso nome. Acredite: nada é mais importante para um político do que a opinião de sua base de eleitores. Se há passeata, eles ficam antenados, mas se, além disso, recebem milhares de e-mails e posts em suas páginas do Facebook mostrando que os seus eleitores estão atentos aos seus votos no legislativo, o impacto é muitas vezes maior.

Se quiser reclamar, reclame. É legítimo participar de manifestações e marchar pelo que acredita, mas é preciso agir com coerência, dar o exemplo e verificar se não é também responsável por aquilo que critica nos demais.

Professor de Planejamento de Negócios da PUC e presidente da Nasajon Sistemas

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