Editorial: A profecia anteviu o sacrifício?

Quem pegou o metrô ontem à tarde, muitos deles peregrinos, viveu momentos de despreparo e apreensão

Por bferreira

Rio - Não é necessário “imaginar na Copa”. Quem pegou o metrô ontem à tarde, muitos deles peregrinos, viveu momentos de despreparo e apreensão. Na semana em que a cidade mais precisava do pleno funcionamento do seu transporte público, o “rompimento de um cabo” paralisou todo o metrô. O episódio encarcerou passageiros por mais de hora e travou de vez o já confuso trânsito carioca, apinhado de jovens fieis. O atrapalhado e arriscadíssimo traslado do Papa Francisco pelo Centro e, agora, a pane no subterrâneo põem o carioca no ridículo e exigem dos visitantes muita fé em Deus.

Acidentes acontecem, mas deve haver reação de contingência, esquemas de emergência, redundâncias em planos ‘B’, ‘C’, ‘D’ e ‘E’, ou mais. Não parece ter sido a estratégia tanto segunda-feira quanto ontem. Mais uma vez, é justo frisar que o imponderável e a fatalidade são entidades ariscas. Mas não seria razoável reforçar equipamentos e esmiuçar vistorias para evitar escangalhos dessa monta?

E o grosso da Jornada ainda está por vir, com as missas em Copacabana — outra prova de fogo para o metrô —, e a vigília em Guaratiba, um dos maiores deslocamentos de multidões da história do Rio. Espera-se que tudo funcione a contento.

É triste, mas cada vez mais as palavras do prefeito Eduardo Paes proferidas em maio, quando do detalhamento da Jornada, se revelam proféticas. “Vamos ter certamente uma semana de transtornos” e “A Jornada vai exigir alguma dose de sacrifício”. O recado era para os moradores, mas os peregrinos estão dividindo a conta da negligência.

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