Editorial: Jornada, desculpa e desprezo

Sai bastante arranhada a imagem da cidade ao término desta JMJ

Por nara.boechat

Rio - Sai bastante arranhada a imagem da cidade ao término desta Jornada Mundial da Juventude. Hoje tem a Missa de Envio e o último grande deslocamento dos fiéis, que nos últimos dias sofreram tanto quanto os cariocas com o precário transporte público. Foi vexatório o deslize da segurança ao encurralar o Papa no paredão de ônibus da Presidente Vargas, e constrange, em iguais níveis bíblicos de embaraço, o atoleiro do Campus Fidei — situação que não era imprevisível, como O DIA mostrou na edição de ontem.

A sorte é que o peregrino é um indivíduo pouco exigente, acostumado a contratempos e sacrifícios, sempre achando tudo ótimo, pois sua fé é maior do que qualquer infortúnio — e a oportunidade de professá-la ao lado do Papa e de jovens do mundo todo compensa todo percalço. Mas isso em absoluto dá às autoridades salvo-conduto para enfileirar problemas.

Ao menos o prefeito teve a hombridade de pedir desculpas, e o fez por mais de uma vez; mas cabe, aqui, uma reflexão. No Brasil o contribuinte tem a nítida impressão de que seus governantes o desprezam, salvo em época de eleição, e deixam de fazer coisas triviais — a prova está nas mazelas cotidianas das quais os cariocas estão fartos. Era de se esperar, portanto, que se fizesse para os outros. Dificilmente o Rio voltará a sediar evento tão grandioso e com tantas oportunidades de conquistar turistas como a Jornada. Mas não. Parece que o desprezo é generalizado.

Existem limitações, como o prefeito ponderou, mas não dá para atentar contra a cidade. A mídia estrangeira está descendo o malho. Os cariocas estão envergonhados.

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