Editorial: As lições que a JMJ nos deixa

'Peregrinos ou turistas, não importa: era obrigação das autoridades tratá-los bem'

Por nara.boechat

Rio - Finda a Jornada Mundial da Juventude, ficam as lições do que deu errado e, sobretudo, as cobranças para que as falhas sejam corrigidas — até porque este foi apenas o segundo da série de megaeventos sediados no Rio. Ontem este espaço indagou se não era razoável empreender mais esforços para evitar imprevistos. Não apenas pela “imagem” da cidade — patrimônio que certamente deve ser cultivado —, mas também pelo respeito àqueles que vieram. Peregrinos ou turistas, não importa: era obrigação das autoridades tratá-los bem. Não foi o que aconteceu.

Aliás, é curioso perceber que religiosos saem desta Jornada fortalecidos — além do próprio Francisco, ganharam pontos com a população o arcebispo Dom Orani Tempesta, entusiasta da JMJ, e o padre Omar Raposo, um dos incansáveis gestores —, enquanto políticos pouco fizeram para sair da lama em que estão desde os protestos de junho.

Por falar em lama, impossível não voltar ao fiasco do Campus Fidei. Ontem houve tentativa de resgatá-lo do lodaçal. Prometeram transformar a área em bairro popular. No calor e na emoção da histórica Missa de Envio, foram palavras bonitas. Mas é importante enxergá-las sob a fria luz do ceticismo e enfileirá-las na lista de pontos a esclarecer, como o dinheiro gasto. Como bem colocaram moradores de Guaratiba, há que melhorar transporte e atendimento de saúde, antes de povoar a região.

Eventos que tratam bem o visitante tornam a cidade mais convidativa e garantem a prosperidade do turismo, que sempre joga a favor da população. Não há desculpa para quem não entende isso.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia