Editorial: É preciso encarar as contas

A revogação do aumento das passagens de ônibus — este, o estopim dos grandes protestos — fez nascer um monstro que todos querem esconder, mas que um dia terão de enfrentar

Por thiago.antunes

Rio - A revogação do aumento das passagens de ônibus — este, o estopim dos grandes protestos de junho — fez nascer um monstro que todos querem esconder, mas que um dia terão de enfrentar: a intrincada planilha de custos do transporte e o equilíbrio das finanças, vital para a manutenção do sistema e para sua expansão. O DIA publica hoje as conclusões de debate entre especialistas sobre o ônus do desconto. Todos apontaram a urgência de atacar os números, ou aquela besta crescerá mais e não será detida.

É óbvio que a composição da tarifa sempre está aberta a ajustes. Pesa bastante a percepção dos usuários, que afirmam pagar caro por um serviço ruim. Tudo isso é justo. Mas o valor da passagem terá de subir mais cedo ou mais tarde, pois os tais 20 centavos estão se acumulando milhares de vezes ao dia, e ninguém sabe ao certo como ou se isso está sendo reposto — e quem vai pagar essa conta. O mais grave, como ponderam os especialistas, é a perda da capacidade de investimento e de manutenção — se o ônibus hoje não agrada, o que pensarão os passageiros caso a frota se deteriore ainda mais?

É bom lembrar que no pronunciamento de sexta-feira, em alusão ao 7 de Setembro, a presidenta Dilma Rousseff tornou a falar dos projetos em mobilidade — só o PAC reservou R$ 50 bilhões, parte dos quais custeará a Linha 3 do metrô, em Niterói e São Gonçalo. Tão importante quanto erguer novos sistemas é melhorar os atuais, aí se incluindo os corredores BRTs e BRSs, monitoramento por GPS e treinamento dos motoristas. Otimizar a frota terá impacto na composição da tarifa, o que trará um valor justo para todos.

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