Editorial: Não ao velho filme

Os protestos populares inauguraram nova forma de se fazer política no Brasil

Por thiago.antunes

Rio - Os protestos populares inauguraram nova forma de se fazer política no Brasil. Quando o povo, unido, sai à ruas, pacificamente, cobra históricas demandas que há décadas afligem a população — como mais investimentos em educação, saúde, cultura, habitação — e começa a ser ouvido, a democracia e a cidadania agradecem. Da mesma forma, quando as manifestações exigem punições contra o abuso policial, a corrupção e os maus políticos.

Mas perdem a democracia, a cidadania e o país quando uma ínfima minoria se apropria de poderoso instrumento de pressão da sociedade como salvo-conduto para a pilhagem, a depredação do patrimônio público e privado e a desordem social. E, o pior, quando coloca em risco a integridade física do cidadão, não poupando nem mesmo mulheres e crianças, como o lamentável episódio que marcou o 7 de Setembro, sábado, no Rio.

Por uma bestialidade, mais de 70 pessoas ficaram feridas por excesso dos dois lados. De ativistas radicais que não respeitaram o direito de quem estava ali no Centro do Rio apenas para se divertir com os desfiles. E da polícia que, mais uma vez, provou não saber lidar com a situação. Agiu com truculência, ferindo inocentes. O que se espera, agora, é que haja investigação minuciosa dos fatos e que todos os responsáveis sejam punidos, de ambos os lados.

Protestos pacíficos são sempre bem-vindos. Prestam um serviço ao país. Mas o caos gerado por radicais que fomentam a desobediência civil só reforça o discurso reacionário. E ninguém quer ver de volta aquele velho filme.

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