Rio - Em São Paulo, ativistas politicamente corretas largaram seus afazeres domésticos para invadir um instituto e sequestrar beagles que supostamente seriam usados como cobaias. Segundo elas, estavam sendo torturados apesar dos desmentidos. Os jornais deram destaque, as fotos mostraram senhoras carregando os bichinhos que viraram moda depois de um filme; as crianças não sossegaram enquanto não ganharam dos pais exemplar da raça. Beagles, embora fofinhos, são muito inferiores a ratos em matéria de QI. Logo foram abandonados nas ruas. Se cachorro não fosse retardado mental não seria o melhor amigo do homem. Mas comovem e mobilizam mais as piedosas senhoras que menino de rua, que só serve para espalhar jornais velhos nas calçadas onde dorme e diz: “Tia, me dá um real.”
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Poderia constar do livro dos recordes. Possivelmente sou o único abstêmio a ter um bar em casa com todos os destilados, até absinto. Não me desfiz, por razões sentimentais – foi nos bares que passei os melhores momentos da minha vida. E estéticas: não há nada mais bonito que prateleiras de vidro com aquela variedade de garrafas, copos e taças. Pelo menos acho que parei de beber na hora. Ou não estaria fazendo esta crônica.
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Para vergonha dos cariocas: em Belo Horizonte, onde estive há pouco tempo, a noite ferve, principalmente em Lourdes, onde se concentram os melhores botecos. Detalhe: em todos, ao contrário do Rio, a gente pode escolher entre várias marcas de cerveja sem álcool, de muitos países. E constatar que as nossas, muito aguadas, ficam na parte de baixo do ranking. Até as cervejas da Indonésia são melhores. E o Rio, à noite, ficou uma cidade sinistra. Ontem da minha janela, que dá para uma das ruas mais movimentadas do Leblon, não eram onze da noite e, durante vinte minutos de vigia, só vi passar um solitário carro da polícia. Para não falar do 706, na Ataulfo de Paiva, onde Tom ia quase todas as noites ouvir o melhor da MPB e do Jazz. Grandes músicos se apresentaram lá, até Piazolla deu canja numa noite memorável. Hoje, no mesmo endereço tem uma Copiadora e Casa de Molduras. Quem te viu e quem te vê, Rio.