Por bferreira

Rio - Estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostrando que no Brasil a taxa de homicídios de afrodescendentes é muito maior do que a de brancos, revela que ainda há pouco a se comemorar hoje, Dia da Consciência Negra. Em que pese algumas conquistas, como a estipulação de cotas para negros nas universidades públicas e a lei que torna inafiançável crime de racismo, a etnia continua a sofrer com as mazelas que o preconceito da cor de pele impõe nas diversas áreas, econômica, social e política.

Levantamento aponta que os assassinatos de jovens negros aumentam cada vez mais, a ponto de em média, em todo o país, um afrodescendente viver 3 anos e cinco meses menos do que um não-negro. Esses números são bem maiores nos estados do Nordeste e atingem patamares alarmantes justamente em Alagoas, onde se formou o maior foco de resistência contra a escravidão liderado por Zumbi, o Quilombo dos Palmares. Lá, integrantes da poulação negra vivem menos 6,2 anos por conta da violência.

E o mais cruel ainda é que a causa de maior agressão a negros, de acordo com pesquisadores do instituto, não está relacionada somente a questões socioeconômicas, mas também ao racismo.

O estudo da violência do Ipea é divulgado em seguida a outro, na semana passada, que apontou que os negros ganham 30% menos que brancos no mercado de trabalho. Os números são reveladores. Derrubam a velha hipocrisia de que no país não há racismo. Ele existe sim, impregnado em todas as áreas. E combatê-lo passa a ser prioridade de governo.

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