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Wilson Diniz: Dilma, olhe a Baixada!

Pesquisa mostra um quadro social irresgatável no curto prazo se a presidenta Dilma não priorizar a região com ações efetivas

Por thiago.antunes

Rio - Os prefeitos da Baixada Fluminense deveriam conhecer o estudo ‘Índice de Progresso Social’, assinado pelo professor Michel Porter, da Universidade de Harvard (EUA). No trabalho, ele criou 52 indicadores, segmentados em três grupos, contemplando 12 vetores que fotografam os avanços e as conquistas dos países que melhoraram as condições da população.

Numa pesquisa que desenvolvi, ‘Panorama das eleições 2010 rumo a 2014’, procurei extrair 20 indicadores que fotografassem o quadro social da Baixada para correlacioná-los com os do estudo de Michel Porter. O diagnóstico mostra um quadro social irresgatável no curto prazo se a presidenta Dilma não priorizar a região com ações efetivas do governo federal — habitação — para reduzir o passivo social.

Nas últimas eleições presidenciais, em 2008, Lula teve 71% dos votos nas 13 cidades, e a presidenta conquistou 63% dos votos válidos em 2010. O eleitorado da Baixada tem o perfil fiel do ex-presidente. No discurso de campanha para a reeleição, Dilma, olhando os resultados das urnas e os indicadores da Baixada, terá que prometer pacotes de políticas públicas de elevado alcance social. É o mínimo que se espera de uma candidata que segue a cartilha dos programas que Lula implantou para os mais pobres no Brasil.

O IDH médio de 0,71; 45% da renda média concentrada na mão dos 20% mais ricos; 19% dos pobres da região em relação ao eleitorado terem ido às urnas em 2010; e a receita média per capita de alguns municípios situando-se entre as 10 piores cidades no estado formam conjunto de indicadores críticos que merece ser olhado pela equipe de governo da presidenta.

Analisando a Baixada sob o foco das eleições presidenciais, a presidenta deverá ultrapassar a faixa dos 75% dos votos válidos. O palanque multipartidário que se desenha sem oposição declarada dos atuais pré-candidatos ao governo do estado cria ambiente desfavorável para Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), que devem sofrer derrotas fragorosas. Aécio e Eduardo, junto com os candidatos do Psol, não conhecem a Baixada. Eles estão em campanha no Leblon.

O Aécio precisa ter cuidado com as ‘blitzes’ das urnas; o Eduardo tem de fazer um ‘tour’ de trem à Baixada, e o deputado Freixo (Psol) deveria mudar seu roteiro de campanha da Praia do Leme para Japeri. Dilma: “A gratidão é a memória do coração.” Antístenes de Atenas. Volto ao tema.

Wilson Diniz é economista e analista político

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