Por tamyres.matos
Rio - Navegando pela internet, descobri que, no horóscopo chinês, 2014 é o ano do cavalo, coice pra todo lado. Às pressas, janeiro passou derretendo a manteiga dentro da geladeira, trotou nos arejados shoppings modernos, despencou passarelas e perimetral, lotou praias na madrugada, dolarizou o guarda-sol e fez a água de coco dobrar de preço. Imagino que o bife a cavalo, de cela nova e ovos caipiras, tenha sofrido algum reajuste ignorado pelo Banco Central. O calendário, no site xangai, previne atritos internacionais. Lembra que sobre esse régia, o Iraque invadiu o Kuwait assim como Caniggia eliminou, a galope, o Brasil na Copa de 90. Pra ser sincero, ando cismado com essa ferradura atrás da minha porta.
Janeiro fez vagões e presidente francês saírem da linha, inundou a Via Binário em seu debute da estação, tatuou de rachaduras o novo museu portuário e vem secando a grama do Maracanã, o estádio de um bilhão. Baixou a mula sem cabeça no perfil desse signo Kung Fu. Arrastão, antes uma bela música defendida pela imortal Elis Regina no Festival de 1965, debruça sobre as areias do Arpoador trazendo medo e traíra na rede encrespada. Que janeiro cruze o disco final, cabeça de vantagem, mas deixe fevereiro entrar mais marchador.
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Tenho certeza que o cavalo de São Jorge vem de outra raça, campeiro, um puro sangue feito Rocinante fiel escudeiro de Dom Quixote. Crina penteada, preciso afastar a zebra do inesperado. Céu de poucas nuvens, se o Galeão afunda, apelo a Santos Dumont. Se a língua é negra, recorro à Praia Vermelha. Nos filmes, surge sempre a mão divina à beira do precipício, o abraço solidário no corpo suicida. Não existe milhar pro asno de Troia que espreita os inocentes da Guanabara.
As portas do Carnaval já foram abertas. Blocos desfilam nas ruas interditadas, a Cinelândia se veste pro Bola Preta, enquanto a Confraria Carioca rebate com arruda o mau agouro da cavalaria. Abrindo com a Rainha do Mar, velas pra Nossa Senhora da Conceição, dois azuis tingindo o nosso caminho, fevereiro nasce no sol atrás da Mangueira, colore a Praça Mauá, o mesmo que se põe nos pés dos Dois Irmãos. Estou de olho nos dentes! Devagar na caçamba que o cavalo é de barro.