Rio - Tem sido avisado à exaustão o esquema de trânsito no Centro do Rio, com vistas ao desmantelamento final da Perimetral e à complexa transformação da Zona Portuária. As mudanças atingem neste fim de semana o ponto mais crítico: o fechamento do Mergulhão da Praça 15 e a interdição, para carros de passeio, da Rio Branco, há anos corredor vital para o escoamento da Presidente Vargas para o Aterro. O prefeito Eduardo Paes voltou a alertar sobre a imperiosa necessidade de deixar automóveis em casa e recorrer ao transporte público ou a bicicletas. E trombeteou: se o volume do tráfego de ontem se repetir depois de amanhã, a cidade vai parar.
Hoje em dia, não é preciso muito para complicar o fluxo. Basta um carro avariado num túnel ou um acidente na Lagoa-Barra. Uma colisão grave ou um temporal é capaz de travar a Avenida Brasil, o que empaca as rodovias que vêm da Baixada, e aí o trabalhador já perdeu duas horas preso no trânsito. Quando acontece um acidente maior, como um caminhão derrubar passarela na Linha Amarela, forma-se um nó górdio dificílimo de desatar.
Obviamente, o poder público precisa fazer sua parte se quiser essa contrapartida da população — e não basta dizer que reforçou a operação de ônibus, trens, barcas e metrô. São notórios os problemas no setor; se eles se repetirem, as ruas vão parar. Como é de coletivo que a maioria da população se desloca, a prefeitura deve garantir a fluidez nos poucos corredores ainda livres no Centro. Gargalos como o do Passeio, onde ônibus se acotovelam, atravancam o trânsito. Tem de haver coordenação perfeita entre os agentes da CET-Rio.
É importante frisar que, salvo mágicas de última hora, este esquema perdurará dois anos — tempo necessário para liberar as vias expressas do Porto. Não está descartado apelar para um rodízio, como o existente em São Paulo, se a boa-vontade dos motoristas não for suficiente ou se o transporte público continuar dando patada em seus usuários.