Por bferreira

Rio - A inspiração para este artigo veio do interior do Sergipe, em Itabaianinha, quando estive presente às atividades da semana pedagógica daquele município. O conjunto era formado por quatro artistas, sendo um deles professor e, outro, o confeccionador dos pífanos.

Ao mesmo tempo em que estávamos diante de uma apresentação simples, ela era extremamente rica pelo que pôde favorecer a uma escola e a seus alunos, conforme a fase em que se encontram.

Tudo pode ser iniciado com uma apresentação de uma banda de pífanos, que, na sua variedade de movimentos, de músicas, de sons e interação entre os músicos, instigará as crianças a procurar copiar e adaptar às atividades da escola. O que mais me chamou a atenção é que a apresentação pode relacionar-se a inúmeras disciplinas e, não somente, às artes desenvolvidas na escola.

Falar de inteligência espacial é algo patente, dado que os músicos fazem inúmeras configurações, movimentam-se nos espaços disponíveis, trocando posições e alternando caminhadas para frente, para o lado e para trás, todas envolvidas, ainda, pelo entrelaçamento dos pares presentes.

Falar em atividade respiratória, por si, própria da Educação Física, não cria entrave algum. Soprando os instrumentos e produzindo sons, exercitam os pulmões, que, além dessa parte, são exigidos pelos movimentos.

Falar em coordenação motora é obrigatório. A psicomotricidade está presente em todo o tempo. Psicomotricidade grossa nos movimentos das pernas e nos deslocamentos e psicomotricidade fina nas pontas dos dedos.

Falar de inteligência interpessoal seria até exagero. Qualquer tamanho de grupo formando a banda só consegue desenvolver a manifestação artística se o entrosamento entre eles for perfeitamente coordenado, o que exige série de ensaios onde a inteligência interpessoal dita o êxito ou o fracasso. Essa inteligência extrapola o próprio grupo e atinge a plateia envolvida pela harmonia da música, do ritmo e dos movimentos.

Falar de inteligência musical seria redundância, e até a lógica matemática está presente pelas inúmeras figuras que os músicos desenham com o movimento de seus corpos.

Nada melhor na Educação Infantil e primeiro segmento do Ensino Básico que uma boa banda de pífanos. A escola inteligente trabalha coisas simples e, ao mesmo tempo, recheadas de grande relevância.

Pedagogo e escritor

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