Por bferreira

Rio - Albino Pinheiro, Ferdy Carneiro e Hugo Bidet têm uma boa desculpa para justificar a ausência no desfile da Banda de Ipanema, que completou meio século no sábado. Provavelmente devem estar botando os anjos e querubins para sambar. E, é claro, Leila Diniz será a eterna rainha da banda celestial. Cláudio Pinheiro, irmão de Albino — que herdou o posto —, quase teve um piripapo quando eu disse que tinha um compromisso inadiável em São Paulo. Mácula inapagável no meu currículo, causada pela amnésia abstêmica, como já disse, mil vezes pior que a alcoólica. Parece que foi ontem, vá lá, anteontem.

Vou contar nesta coluna — pela última vez — como foi o desfile da primeira Banda de Ipanema, no remoto ano da 1964. Não existia mais Carnaval de rua, só os desfiles das grandes sociedades e o das escolas de samba. Sempre sob a liderança do Albino, fizemos uma vaquinha para contratar os músicos. Ferdy desenhou a bandeira auri-rubra e sugeriu nossa palavra de ordem: Yolesman Crisbeles (os milicos desconfiavam que era um código subversivo; era apenas uma frase que um maluco-beleza que perambulava pela Central do Brasil exibia num papelão e não significava absolutamente nada). Aliás, foi do Ferdy a ideia de copiar a Banda de Ubá, onde nasceu: a gente, de paletó, gravata e chapéu, fingia que tocava os instrumentos na hora da saída e depois passava os instrumentos para os músicos do Bola Preta. Eu, por exemplo, ‘tocava’ tuba. O tesoureiro da banda era o Vavá, mitológico garçom do Jangadeiros, na Praça General Osório, onde se concentrava o pessoal da Banda.

Saía da Praça, subia pela Vieira Souto e, acho, entrava pela rua que dava na Praça Nossa Senhora da Paz e voltava pela Visconde de Pirajá. Confesso que nunca fiz o trajeto completo, ia atrás da Banda até a Vieira Souto e depois voltava para o bar. Muita coisa não existiria se não fosse a Banda de Ipanema. Por exemplo, o semanário ‘Pasquim’ (fundado cinco anos depois) e todas as outras bandas do Brasil, sem corda nem abadá. Prova disso é o Bloco Simpatia É Quase Amor — inspirado num personagem de Aldir Blanc — que tem como comandante o filho de Darwin Brandão, signatário da ata de fundação da Banda cinquentona.

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Já que estamos falando de Carnaval, gostaria que alguém — de preferência o grande Martinho — me explicasse por que a Vila Isabel, com tantas passistas maravilhosas, foi escolher para madrinha de bateria Sabrina Sato, uma japinha com sotaque de caipira paulista.

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