Por bferreira

Rio - O histórico desequilíbrio do serviço oferecido pelas empresas de ônibus do Rio alcançou óbvios ululantes esta semana, após o travamento do Centro com as alterações na Avenida Rio Branco e no Mergulhão da Praça 15. A distribuição desproporcional da frota, que obedece à preferência das viações pela Zona Sul, ajudou a encalacrar as poucas vias livres depois da implantação do esquema. A ponto de o prefeito Eduardo Paes, a rigor o ‘patrão’ dos empresários do ramo, admitir a debilidade do sistema e defender uma “racionalização”. Paes também descartou implantar rodízio de veículos para reduzir o engarrafamento. Alegou, de novo, a má qualidade dos coletivos.

Está-se diante, portanto, de chance de ouro para fazer as alterações que há anos são pedidas na cidade. Não por acaso são as mesmas que deram origem à onda de protestos do ano passado, quando a população se rebelou contra os tais 20 centavos do aumento das tarifas. O reajuste de 2013 se aplicou no início do mês, mas hoje os R$ 3 pagos pela passagem não garantem viagem perfeita.

Enfrentam-se dois problemas na frota. Um, pontual, é a alta concentração. Não há necessidade de entulhar o Centro de ônibus se neles viajam apenas meia dúzia de passageiros. É um círculo vicioso resultante da falta de planejamento e da visão mesquinha das viações. Ao privilegiar uma linha em detrimento de outra, entopem-se os itinerários. Os carros não chegam na hora, e aí se colocam mais veículos para cumprir os horários. Uma bola de neve.

E há as deficiências de sempre, como ar-refrigerado de menos, como reportagem do DIA mostrou há um mês. Paes é contrário ao rodízio porque não quer obrigar os cariocas a andar em “quentões”. Notável, a franqueza — mas é preciso reagir. O Centro permanecerá travado por dois anos, e não se sabe se até lá a adesão da cidade aos apelos de não sair de carro ficará firme. Que se mexa, então, nos ônibus, tabu que precisa ser quebrado, ou o Rio poderá parar.

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