Rio - Soube que foi aprovada uma lei que proíbe o uso de bonés em bancos, lojas, repartições públicas e similares. Tomara que seja mais uma das tais ‘que não pegam’. A razão alegada é que aba dificulta a identificação — pelas câmaras de segurança — de ladrões. Automaticamente fica revogada a expressão ‘tirar o boné’ quando se quer demonstrar admiração por alguém ou alguma coisa. E agora, o que faço, depois de usar durante tantos anos o adereço?
O boné, além de proteger — por recomendação médica — a pele que reveste meu crânio de queimaduras e de câncer provocado pela exposição aos raios solares, incorporou-se à minha imagem. Sempre aparece nas caricaturas e autocaricaturas. Há uma diferença abissal entre carecas sem ou com boné. Maluf e Serra pertencem ao primeiro grupo. Na turma dos carecas de boné, o Neruda é sempre o primeiro nome que ocorre, logo seguido pelo Vinicius. Confesso que plagiei o autor de ‘Confesso que Vivi’. Duplo plágio, já que intitulei meu livro sobre bebidas e botecos de ‘Confesso que Bebi’. Aliás, esse livro me criou um novo problema: tem editora interessada em fazer uma nova edição. Estou na dúvida, agora que virei abstêmio. Mudarei o título para ‘Confesso que Parei de Beber’? Mas, voltando do veto aos bonés, continuo usando. Aliás, tenho que reconhecer que muito antes de mim, o arquiteto Sergio Rodrigues era usuário. Uma vez nos encontramos no aeroporto (os dois de boné preto) e ele cobrou, meio à brinca, meio à vera: “Já me disseram que você andava me imitando.” Ontem fui ao banco e depois jantei no Terzetto com meu boné comprado no Maurice Plas, em São Paulo, e ninguém me pediu para tirar o adereço, agora ilegal, da cabeça. Alguém aí pode me dizer onde se consegue um porte de boné para eu poder continuar andando com a careca protegida ?
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Durante anos frequentei (até me proibirem o álcool) o Real Chopp, em Copacabana. Lá se bebe um dos chopes mais bem tirados do Rio. Mas poucos sabiam por que a placa da casa dizia Real Sucos (também são ótimos). Convencemos — Theo, Otavio Augusto, Chico Caruso, Balbi e eu — os donos a trocar ‘Sucos’ por ‘Chopp’. Agora, o ardiloso dono do bar em frente registrou o nome e entrou — tremenda sacanagem — com um mandado proibindo qualquer alusão a ‘Real Chopp’ no nosso point. Mas isso não vai ficar assim. Como está na moda, marcamos um protesto na terça-feira, dia 28, às 11h, em frente ao bar. As faixas já estão sendo providenciadas. No pasarán!