Karla Rondon Prado: Gênio da lâmpada

‘Rewind’ e ‘play’, como se diria antigamente. Coisa que os nativos digitais não sabem o que é...

Por bferreira

Rio - Muita gente já imaginou como seria se pudesse começar de novo, tendo a chance de fazer escolhas diferentes, mudar as decisões, a profissão, etc. É um pensamento recorrente em muitos momentos da vida. Ser uma folha em branco é uma adaptação desse sentimento, um estado de espírito mais puro, sem conhecimento de velhas situações. Não seria mudar tudo porque sabe que aqui ou ali não foi bom, mas apenas ter a inexperiência do desconhecido.

Se fôssemos uma folha em branco, cada cena seguinte seria a da sensação virgem. O primeiro passo, o primeiro tchauzinho, a primeira vez que conseguiu fazer um bico para mandar um beijo. Tudo tão singelo, tão levinho, e por isso mesmo tão prazeroso, válvula de despertar felicidade genuína. Não dá para andar sem os primeiros passos.

Como quando o homem inventou a lâmpada. Até hoje as descobertas mais incríveis, mas que nem paramos para pensar sobre, pois simplesmente quando nascemos já existia, são as que mais aguçam a minha curiosidade. Sempre me pego pensando em como foi que Thomas Edison inventou a lâmpada elétrica e como o mundo viveu até ali (1879, me diz o Google) sem isso. Quem poderia pensar em isolar fios dentro de uma cápsula de vidro que, aquecidos por uma corrente elétrica, emitiriam luz? E quem para para pensar nisso hoje? Acho que ninguém, talvez só eu e quem está aprendendo isso na escola.

A lâmpada está para o desenvolvimento do mundo moderno assim como a nossa valorização das descobertas está para o desenvolvimento humano. Aprendemos a agir e ignoramos o princípio de tudo, perdendo a espontaneidade e a capacidade de improvisação, o instinto. Deixamo-nos levar pelo aprendizado corriqueiro e esquecemos de qual é o combustível que nos faz seguir adiante. Deixamos a vida passar batida, absortos em compromissos diários, sem os quais não podemos viver no mundo moderno, e nos entregamos à exaustão.

Sendo que se tentássemos zerar, falar “calma, dê uma parada”, talvez conseguíssemos nos pôr em ordem e driblar os problemas da vida. ‘Rewind’ e ‘play’, como se diria antigamente. Coisa que os nativos digitais não sabem o que é. Não se perde mais tempo para voltar a fita. Basta parar e colocar no início em um segundo. É tudo muito rápido. Voltar ao zero não requer grandes esforços. Mas não somos digitais e o exercício de zerar exige um baita esforço. Coisa que nem o gênio da lâmpada resolveria tão facilmente.


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