Rio - A vexatória goleada imposta pela Alemanha à Seleção esta semana suscita maniqueísmos: antes dos 7 a 1, muitos eram os que idolatravam o futebol brasileiro, independentemente de decisões, resultados e atuações. Depois, predominou o discurso cataclísmico, de terra arrasada. Evidentemente que deve se buscar o meio-termo, e já se esboçam possíveis mudanças. A questão não é saber se são necessárias, mas se há vontade política para empreendê-las.
Hoje o colégio de técnicos — ou “professores” — é visivelmente limitado e defasado. Oxigenar esse mercado com nomes de fora é, para muitos, uma heresia. Mas a indignação vem mais do compadrio e menos de princípios, o que na prática perpetua uma ciranda no comando da Seleção e sobretudo no dos clubes. Este espaço já tinha alertado para o desleixo com as divisões de base, com jovens promessas sendo expatriadas, servindo a interesses escusos de empresários. Acrescentem-se métodos tacanhos de treinamento, como se viu na Granja Comary.
Difícil vislumbrar revoluções quando a maior entidade do futebol brasileiro é há décadas latifúndio dos mesmos dirigentes. Acomodação que se repete nas federações estaduais e nos clubes. Continuar nessa tática e confiar indefinidamente na soberba do pentacampeonato é meio caminho andado para outras goleadas humilhantes e jejum ainda maior de títulos.