Júlio Furtado: Dar a volta por baixo

Pensávamos que seríamos hexacampeões. A realidade é que o ano ‘recomeçou’, e ainda somos penta

Por bferreira

Rio - Pensávamos que seríamos hexacampeões. A realidade é que o ano ‘recomeçou’, e ainda somos penta. O segundo semestre, que sempre sofreu de certa síndrome do cansaço e da ansiedade pela chegada do fim do ano, terá como peso extra o compromisso de seguir em frente após acordarmos do sonho.

Todo esse contexto nos leva à reflexão a respeito da importância da Educação para que aprendamos a lidar com a frustração de uma derrota ou de uma perda. E não estamos falando de ações frenéticas que nos levam a repetir que tudo vai dar certo, que é só acreditar de verdade que tudo se resolverá no fim. Com todo o respeito, tenho um pé atrás com propostas baseadas em euforias compulsivas e contagiantes que funcionam com base na força da palavra. Falo aqui não de dar a volta por cima, mas de “dar a volta por baixo”. Isso mesmo. Ir ao âmago da frustração ou da dor para desmistificar e entender suas causas.

Assim como no futebol, na Educação também estamos precisando “olhar para dentro” de nós mesmos e identificar onde estamos errando. O que fizemos no primeiro semestre que não funcionou e que precisamos fazer diferente de agora em diante? O que deu certo e precisamos manter e aperfeiçoar? O que deixamos de fazer e que é fundamental que comecemos a fazer já? O segundo semestre é uma oportunidade de renascimento que exige que pisemos no chão e andemos de forma determinada. Não esqueçamos que a ilusão de sermos bons pode nos levar a não saber lidar com a frustração a ponto de ficarmos perdidos em campo ao levar um gol. Essa é outra questão que não pode ficar ausente de nossos currículos: a capacidade de autoavaliação a partir de uma visão real de nós mesmos, com todas as nossas forças e fraquezas, possibilidades e limitações.

Tomando o futebol como fonte de inspiração, vale encararmos a necessidade de valorizar as ações de base, ou seja, de nos empenharmos no planejamento e na execução de cada atividade que propomos no dia a dia das aulas. Vale também a intensificação dos treinos no sentido de melhorar naquilo que ainda não está bom. Mais uma vez lembremos que o treino não funciona para quem não reconhece e identifica suas fragilidades e necessidades de melhoria. O melhor treino para nós, professores, é a formação continuada, em especial a reflexão sobre a nossa prática, seguida de troca com os colegas. É dessa forma que aprenderemos a dar aulas melhores e nos fortaleceremos enquanto categoria profissional.

Júlio Furtado é professor e escritor

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