Por bferreira

Rio - São devastadoras para a cultura nacional as mortes de João Ubaldo Ribeiro e de Ariano Suassuna. Foram expoentes da literatura, exímios contadores de histórias e atentos observadores da realidade brasileira, sobretudo a do Nordeste, que rendeu a ambos um manancial de tipos e casos. Lamenta-se muito que suas profícuas vidas tenham cessado do nada, pois os dois ainda nutriam planos e estavam por lançar obras inéditas. Consola, porém, saber que seus trabalhos permanecerão — e deverão ser lembrados e festejados pelas futuras gerações.

Através de Suassuna e Ubaldo, o Brasil pôde descobrir-se a fundo — tanto nas encantadoras sagas do paraibano, quanto nas sagazes crônicas do baiano. Nas primeiras, torrentes de palavras, maneirismos e lirismo cativaram os leitores. Nas segundas, uma invejada inventividade, com um humor mordaz e contemporâneo. Todas livres para criticar mazelas da região e do país.

Imortais, os escritores que partiram nos últimos dias deixam um legado indelével, um testemunho encantador sobre o Brasil. Não por acaso, transposições para a televisão e para o cinema — caso do ‘Auto da Compadecida’ e de ‘Deus é Brasileiro’. Lê-los, debatê-los e indicá-los, sobretudo para os mais jovens, é uma forma — bem-vinda e necessária — de valorizar a cultura.

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