Rio - A Educação, tanto para a sociedade como para o indivíduo, é estímulo de transformações. Em realidade, esse estímulo de transformações nada mais é do que a projeção do saber na escala social. Como assinalou Edgar Faure, a Educação do nosso tempo deve ser para formar o homem completo. “É preciso que o novo homem seja capaz de compreender as consequências globais dos comportamentos individuais, de conceber as prioridades e de assumir as formas de solidariedade que constituem o destino da espécie.”
Diante desse quadro, estamos frente a uma nova necessidade: dimensionar a universidade de acordo com o seu papel histórico de centro cultural. A grande passagem da universidade brasileira é a consolidação da pesquisa. Deve ter uma atividade criadora e favorecer o desenvolvimento da capacidade crítica de seus membros. Por outro lado, é necessário reconhecer que a universidade deve fazer um esforço endógeno para atingir níveis cada vez mais promissores de integração social.
Isto quer dizer que a instituição de Ensino Superior não se compromete socialmente apenas com formação de profissionais. Ela se compromete gerando recursos alternativos em termos culturais. É essa a única forma de justificar as disponibilidades de tantas inteligências na missão universitária. Tal é, a meu ver, a função primordial da universidade. Tem lastro na confiança ilimitada que todos nós possuímos na inteligência brasileira. Mas, sobretudo, tem por base a esperança nas novas gerações.
Acreditando nelas, estamos selando a certeza do amanhã, construído sobre a herança cultural da sociedade que é de ontem, de hoje, de sempre. Não se trata de proclamar o futuro; trata-se, isto sim, de ganhar o presente. É preciso semear novas ideias, acreditar nelas e construir a partir delas. As ideias novas não vencem porque convencem os defensores das velhas ideias, mas, sim, porque surge uma nova geração que cresce e se afirma com elas.
Essa há de ser, estou convencido, a nossa missão universitária, em um país à míngua de novas ideias e de eficácia das instituições para superar a crescente mediocrização que se alastra com incrível velocidade. Afinal, como afirmou Disraeli, falando à Câmara dos Comuns, em 1873, “uma universidade deve ser um lugar de iluminação, de liberdade e de aprendizado”.
Infelizmente, no Brasil atual, estamos longe desse compromisso.
Paulo Roberto Direito é diretor da Radice Produções Culturais