Aristóteles Drummond: Grande divisão no Rio

Ao que tudo indica, o Rio distribuirá em fatias quase iguais os seus votos

Por bferreira

Rio - Nas eleições passadas, Lula e Dilma tiveram aqui no Rio de Janeiro um dos melhores resultados em comparação com os demais estados. O Rio, acima dos partidos, deu a vitória aos candidatos do PT em patamares ímpares na história das eleições presidenciais.

Desta vez, a divisão está clara. Marina Silva já foi bem votada, tem a simpatia da garotada da classe média e da terceira idade alternativa, podendo repetir boa votação. Mas tem a seu pé a presidenta Dilma, com boa base de apoio e forte presença na máquina federal, ainda muito lembrada na antiga capital da República. Ocorre que o candidato Aécio Neves tem toda uma história com o Rio. Aqui estudou e se formou; aqui sempre teve residência; aqui moram sua filha mais velha, a mulher, os filhos gêmeos que acaba de ganhar.

No mais, as forças políticas que apoiam o candidato de oposição são consideráveis. Estão em quase todos os partidos, a começar por legendas significativas, como o PMDB, PP, PTB e Democratas, nas bancadas e nos prefeitos. Não é pouca coisa. Tem a seu lado ainda dois artesões das alianças eleitorais: o presidente do PMDB, Jorge Piciani, e o senador Francisco Dornelles, seu primo e candidato a vice-governador na chapa do governador Pezão. Os feitos de sua gestão em Minas são bem conhecidos.

Ao que tudo indica, o Rio distribuirá em fatias quase iguais os seus votos. É também no Rio que o Pastor Everaldo vive e tem sua militância política e encontra maior eco em sua proposta liberal.

O crescimento de Pezão não influirá muito, uma vez que, embora seu apoio seja da presidenta, sua imensa coligação está com suas bases comprometidas com Aécio Neves. Os demais postulantes ao Palácio Guanabara, que disputam entre si o lugar de ir ao segundo turno com Pezão, tem dificuldades e divergências internas notórias.

Senador do PT, Lindberg Farias é apoiado pelo PSB, e existe certa afinidade entre suas bases e as da candidata ambientalista, o que começa a irritar o Planalto. O ex-governador Garotinho, que vai perdendo a liderança à medida que a campanha avança, insatisfeito com a presidenta, deve correr independente dos presidenciáveis. Já o senador Crivella, que apoia Dilma, encontra dificuldades com a influência de Marina nos evangélicos, sua origem na política.

Será interessante acompanhar a dança dos números na eleição presidencial no Rio, em visível equilíbrio de forças.

Aristóteles Drummond é jornalista

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