Ricardo Cravo Albin: MIS, quase 50 anos

O Museu da Imagem e do Som reuniu há dias todos os diretores que por lá passaram, antecipando os 50 anos que vêm aí em 2015

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - O Museu da Imagem e do Som, celebrado pela sigla MIS desde sua fundação em 1965, reuniu há dias todos os diretores que por lá passaram, antecipando os 50 anos que vêm aí em 2015.

Fiquei emocionado, com justa razão, ao ouvir/ver boa parte dos diretores que me sucederam desde 1971, quando dei por consolidada a luta ferrenha de sua implantação, que começou nos dois últimos meses de 1965, ainda no verdor dos meus 25 anos. Recuperar a memória da cidade foi o desafio de sempre do MIS e de seus diretores, todos eles desabridos guardiões da porta que abre os tesouros tanto dos sortilégios do passado, quanto da captação do presente.

O ontem preservado e o hoje apreendido certamente que determinarão um futuro definido e justo. Justo sim, porque este país é perdulário em arrastar para debaixo do tapete os melhores fazimentos de seu povo e dos seus filhos mais arrebatadores.

Mas não devo apenas lastimar a continuidade do descuido e do desdém no país. Meu objetivo é louvar aqui o mais original dos museus da cidade desde 1965. Original? Por certo, até porque o MIS inventou o depoimento para a posteridade, captando para o seu acervo as impressões das vidas e dos feitos dos cidadãos que valem a pena. E isso sem preconceito de qualquer espécie.

Paralelamente aos testemunhos acolhidos em nossa atualidade, o Museu criou os conselhos de críticos, não só para definir os nomes que gravariam para a posteridade, senão também para votar os prêmios Golfinho de Ouro e Estácio de Sá (proclamando o melhor do ano). Tudo isso, e ainda a edição de muitos elepês, ajudou o Museu a ser instituição de prestígio nacional.

O nosso MIS, o museu preservado pelos diretores ao longo de cinco décadas, foi e ainda é o ocupante — por meio século — do castelinho encantador da Praça 15, um dos dois remanescentes da Exposição de 1922. Como que para celebrar o passado cheio de glórias e inovações, constrói-se agora um novo MIS na Avenida Atlântica. Que lhe permitirá ir ao encontro de outras realidades.

Ricardo Cravo Albin é presidente do Instituto Cultural Cravo Albin

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