Por bferreira

Rio - Soa esquisita coincidência aparecer justo agora, a menos de um mês das eleições, uma repercussão atômica de um ‘depoimento-bomba’ que pode afetar duas dúzias de altos postulantes a um cargo em outubro e causar sérios impactos na corrida ao Planalto. A fala de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, com vistas à delação premiada na Operação Lava Jato, causou celeuma em Brasília e deu lugar a incontáveis teorias da conspiração. É imperioso investigar a fundo as denúncias do ex-dirigente, como deve ser em qualquer democracia, mas convém ter zelo na hora de apedrejar este candidato e beatificar outro.

Neste momento em que não se sabe o inteiro teor do que disse Costa, a delação muito se assemelha a dossiês apócrifos que surgem, volumosos, em debates às vésperas do pleito — não à toa esse artifício foi banido. Procura-se o estardalhaço em detrimento do conteúdo, e quem grita mais forte acaba amealhando audiências. O rumo natural de uma campanha, que deveria ser pautada por discussões de alto nível sobre deficiências no país, acaba se perdendo.

O denuncismo é arma barata de quem está em desvantagem e se vê obrigado a lançar a carta na manga que pode mudar o jogo. A imprensa tem o dever de tudo, divulgar e ajudar o eleitor a pensar diante de novos elementos. Mas sempre com o cuidado de não apressar julgamentos e não dormir com manipulações. Juízo de valor equivocado na eleição pode trazer péssimos resultados.

Você pode gostar