Por bferreira

Rio - O baixo crescimento demonstra a fragilidade em que se encontra a economia e expõe as dificuldades enfrentadas pela indústria. O superávit da balança comercial cada vez menor, com possibilidade de entrar no vermelho, prejudica o serviço da dívida externa, e os juros muito altos, além de ser remédio já ineficaz contra a inflação, oneram o pagamento da dívida interna. O Banco Central fica entre a cruz e a caldeira, numa inglória tentativa de conciliar juros, combate à inflação, crescimento do PIB, câmbio, geração de superávit primário e adimplência da União.

Essa situação repete-se durante todo o ano e, infelizmente, algumas ações são urgentes, porém improváveis diante das eleições. Os preços administrados, como energia, combustíveis e transportes, já estão no limite, mas o governo insiste em represá-los. Se houver aumento do consumo, certamente a pressão sobre os preços prejudicará o sistema de controle, confirmando o que muitos indicadores já apontam: o estouro da meta inflacionária, fixada em 6,5%.

O excesso de gastos públicos é outra evidência, além do uso político de empresas como a Petrobras. A estatal, que agora se vê envolvida em mais um triste episódio, vem reduzindo de maneira significativa o pagamento dos dividendos aos acionistas em virtude de manobras internas estabelecidas pelo Conselho de Administração.

O país está assistindo a sucessivos escândalos que envolvem a área econômica e dilapidação do patrimônio público. Somente o caso de Pasadena está gerando prejuízo em torno de US$ 792 milhões.

Diante das novas denúncias dos últimos dias, estamos mais uma vez sob a mira de olhos inquisidores. É o que teremos, mais uma vez, de enfrentar: a desconfiança internacional.

Em 2013, ingressaram no Brasil US$ 64 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, colocando o país na quinta posição do ranking divulgado em junho pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica, com base nos dados da United Nations Conference on Trade and Development (Unctad). Parece um valor bastante considerável. E é. Preocupante não é o montante em si, mas o movimento de queda de interesse do investidor estrangeiro em relação ao país.

O Brasil perdeu a quarta posição de 2012, viu o valor dos recursos caírem pela primeira vez desde 2009 e foi ultrapassado a toda velocidade pela Rússia, que figurava no oitavo lugar da edição anterior do ranking. O país perdeu sua importância no cenário internacional? Seguramente, não. Tanto que, segundo aponta a própria Unctad, é o quinto principal destino nas intenções de investimentos nos próximos dois anos para 164 companhias globais. Porém, a pouca transparência e as manobras contábeis para manter indicadores positivos, sem falar na ausência de reformas e incentivos à produtividade e inovação, tiram o fôlego de qualquer disputa por recursos.

Em tempos de cenário econômico mundial instável, o dinheiro sempre vai buscar segurança. Agora, como vamos recuperar a azeitona da empada?

Reginaldo Gonçalves é coordenador de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina

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