Por bferreira

Rio - São lamentáveis os 1.153 óbitos em 77.129 atendimentos ocorridos até agosto deste ano no Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, Duque de Caxias. Mas a acusação à enfermagem sobre a morte de um bebê prematuro preso ao cordão umbilical, à espera de socorro é, no mínimo, leviana.

Matéria publicada na imprensa recentemente não apresentou nenhum levantamento sobre a situação dos contratos de trabalho assinados com as OSs no Rio. O meu mandato já denunciou e continua denunciando frequentemente o descaso do governo do estado com esses contratos, uma vez que não exigem das empresas o devido respeito aos profissionais, como o pagamento de salários dignos, condições de trabalho adequadas e jornada condizente com o esforço que suas tarefas demandam.

Também não exigem das empresas o correto dimensionamento de profissionais, em especial da enfermagem, única categoria que permanece 24 horas ao lado do paciente — embora quase sempre cumprindo o trabalho em péssimas condições, com sobrecarga da carga horária, baixos salários, falta de benefícios e muitas vezes sem direitos trabalhistas reconhecidos.

É muito fácil culpar uma categoria que é excessivamente cobrada, tanto pelas questões éticas de seu conselho de classe, quanto por seus superiores diretos e indiretos. Além disso, são esses trabalhadores que ficam na linha de frente no atendimento à população, sofrendo todo tipo de violência e assédio, tendo que justificar diariamente a falta de condições para a assistência.

A enfermagem precisa exigir melhorias para que possa desempenhar seu papel com mais segurança, eficiência e dignidade. Vamos cobrar a apuração imparcial dos fatos e lutar para que seja feita justiça, por meio da responsabilização dos culpados pelo óbito da criança prematura.

Para além da categoria, precisamos incluir todos os profissionais de saúde e gestores para o diálogo, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho e o atendimento à população. Por essa razão, vou me reunir com a Procuradoria-Geral de Justiça para discutir a saúde no estado, principalmente a falta de estrutura das unidades; os direitos dos trabalhadores; a terceirização da mão de obra e de serviços essenciais; a inadequação de políticas de saúde e segurança; e a situação atual dos profissionais de São João de Meriti, que estão há três meses sem pagamento.

Enfermeira Rejane é deputada estadual pelo PCdoB

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