Por bferreira

Rio - Amanhã o mundo vai acabar, o que você vai fazer agora (que você sempre teve vontade e nunca teve coragem)? É esta a pergunta que Paulo Barros, Moska e Billy Brandão farão em uníssono com a Mocidade Independente no Carnaval 2015. Coisa profunda, cheia de desdobramentos e fascinante. Primeiro é inspiradora de liberdade na matriz “assuma suas vontades, não vá atrás de leis, dogmas, noções de pecado, amarras sociais”. Não perca tempo, solte a sua franga, seja quem você nasceu para ser, e não o que os outros querem que você interprete. Seja feliz, cumpra seu destino.

E como viver é perigoso, e muitos realmente morrerão amanhã (a ONU diz que a cada minuto, 102 pessoas morrem no planeta) então, pra elas, hoje é o último dia mesmo. Muita gente fala de sexo total no último dia, talvez porque sexo seja realmente a coisa mais complicada de ser vivida em plenitude porque tem muita fantasia, desejos inatingíveis, e pouca consumação certa, do jeito que as pessoas sonharam. Tem pouco símbolo sexual na realidade, pra muito consumidor. Outras tantas citam dinheiro, gastança, como alvo a ser executado, certamente fechadinho ali com a ladainha de que é preciso viver poupando para o futuro, que neste caso não virá. Mas, vem cá, pra que carro, roupa, maquiagem, se o mundo vai acabar? Melhor comer e beber né, porque engordar não vai mais importar.

Muitas teorias sobre loucos tratam de um aspecto como este no surto: o louco faz o que quer na hora que bem entende — para ele só há presente, o passado foi-se e o futuro é construção não segura, porque abstrata. Portanto, cabe aqui perguntar que tipo de louco você gostaria de ser? Napoleão, Gentileza, Artaud, Van Gogh? Viraria louco varrido, espírito de porco, cachorra periguete dadeira, ou faria o que um dos versos tristes da canção diz: esperaria sozinho por seus amigos na sua sala vazia? Tristinho, né? Os amigos se acabando, e este optou pela espera.

Dizem que Carnaval é exatamente isto: quatro dias de loucura permitida, onde tudo pode, para que na quarta feira de Cinzas o fim do mundo acabe uma era, e comece o ano-novo, com 361 dias de bom comportamento. Suspeita-se que foi uma superjogada da Igreja, que vendo que se a cobrança fosse dura demais e sempre, se nunca se desse nem uma treguazinha, o caldeirão explodia. Eu ali todo emplumado nas cores da escola, entrevistando os três queridos artistas sobre isso tudo, e eles me perguntam o que eu faria: pois eu, cansado de tanta gandaia e autonomia, gostaria de consolar os que caíram na balela de que é preciso ser bem visto pela alta sociedade.

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