Fernando Scarpa: Entregues pela tecnologia

Não vivemos sem celular, internet e outros aparatos aprimorados ininterruptamente

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Nós nos rendemos à tecnologia. Estamos escravizados. Não vivemos sem celular, internet e outros aparatos aprimorados ininterruptamente. Agendamentos dos mais diversos serviços são viabilizados exclusivamente via web. Essa tecnologia se impôs como meio de facilitar a vida, reduzir distâncias, nos conectar com o mundo.

Só um porém: tudo não se restringe a facilidades. Também há consequências e distorções inevitáveis relacionadas ao uso frenético dos celulares afetando o corpo. Problemas de postura, tendinites e dores na cervical são o preço pelas horas de uso, com o pescoço abaixado e olho fixado na tela. Estamos capturados.

No universo da contravenção, criminosos tiram proveito, viabilizando golpes. Quem já não recebeu a famosa ligação de que algum parente foi sequestrado? Você já teve sua conta bancária invadida ou o cartão de crédito clonado?

As redes sociais viraram ameaça para políticos, acabaram propondo o controle delas, se rendendo ao poder das mentes e dos dedos nos teclados, são rápidas as denúncias. Todos têm voz, neste caso, palavras. Nunca se escreveu tanto, o que é positivo.

O e-mail ressuscitou as cartas escritas do passado; em contrapartida, as letras são terríveis, prejuízo da caligrafia, é no teclado que se escreve. Não precisamos ir ao correio: basta um ‘send’. É economia de tempo, e o e-mail virou documento, prova.

Nos relacionamentos pessoais e amorosos, via internet, a situação não difere. Facilidades e dificuldades convivem juntas. Apaixonados se encontram e se veem pelas telas, transam, se exibem furtados do toque corporal. São apenas imagens, sons e imaginação. As distâncias não existem, ficam as físicas. É pena, as relações se virtualizaram, prejuízo humano sem dimensões.

No celular, todos sabem quem está ligando, escolhem atender ou não. Não ser atendido pode causar mal-estar: “Te liguei e você não me atendeu.” Mas não dá para dizer que não viu. Não há subterfúgio nem desculpa, o número está gravado. Resta assumir a autoria da escolha e as consequências. Apesar disso, ainda existem os que tentam driblar a tecnologia e se desculpar por não ter atendido alguém: “Saí sem celular, estava no vibra-call...” Bobagem, ninguém larga mais o aparelho! Ainda que sim, logo se consultam as mensagens e ligações recebidas. É inevitável! Mentir revela o descaso ou a falsidade que se deseja esconder. Desista: quanto mais nos escondemos, mais nos revelamos! A tecnologia te entrega!

?Fernando Scarpa é psicanalista

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