Por bferreira
Rio - Com eleições a cada dois anos, o eleitor está se especializando em entender pesquisas de intenções de voto. Na terra do futebol, onde todos são técnicos e comentaristas esportivos de porta de botequim, os debates apaixonados tomaram conta do bate-papo sobre quem seria vencedor após a publicação de cada sondagem de tendência eleitoral.
O anúncio de que novas pesquisas seriam publicadas gerava expectativas em todos os segmentos da sociedade. A Bolsa de Valores foi termômetro para especuladores do mercado financeiro encherem seus cofres de dinheiro. Se a presidenta Dilma crescia, o valor das ações das estatais despencava, o dólar subia, e os pequenos investidores perdiam fortunas com as discrepâncias dos números de cada instituto.
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A cabeça do eleitor entrava em parafuso, sem saber qual a sondagem que mais se aproximava da realidade. Muitas vezes estavam contaminadas por ‘erros’ de amostra tendenciosa e de formulação de questionário, induzindo o entrevistado ao sabor das encomendas de candidatos e dos grandes veículos de comunicação.
Para o eleitor, fica difícil entender o ‘viés’ dos impactos da economia na tendência de votos. Os brasileiros estavam viajando mais para o exterior, o IBGE publicava que centenas de novos empregos eram criados, a taxa de desemprego era de 6%, e o índice de confiança no governo para 2015 era boa. No entanto, a popularidade da presidenta caía nas pesquisas, por acontecimentos do acaso que não sustentavam a tendência da inclinação negativa da curva de intenções de voto.
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Os comentaristas sabem que a saúde da economia tem pouco peso na influência do voto se o governo têm âncoras de políticas sociais de transferências de renda, como o Bolsa Família, para os segmentos sociais dos menos favorecidos e de baixo nível de escolaridade. São estes ‘exércitos de reserva’ que elegem candidatos com propostas de cunho popular: rico e intelectual não tem força para ganhar eleição, nem em sindicatos de classe e muito menos nos grotões do país.
Parte dos comentaristas de TV desconhece que fracassou o primeiro modelo matemático de previsão eleitoral — criado pelo professor americano da Universidade de Yale Ray C. Fair — que se baseava no desempenho da economia, considerando o crescimento do produto, taxa de inflação e desempenho trimestral. Ele errou nas previsões das eleições presidenciais dos Estados Unidos de 1992 e de 1996.
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O ‘Geraldino-eleitor’ não entende de tática de futebol e de pesquisas, mas sabe quando o locutor passa emoção enviesada que não é a fotografia do jogo. Mesmo assim, é induzido a acreditar que seu time pode virar o resultado da partida. Vejam o que aconteceu com o Botafogo e com Aécio. Dilma é torcedora do Cruzeiro?

Wilson Diniz é economista e analista político