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Ruffo de Freitas Jr: Falta saber sobre o câncer

Em um futuro próximo, estou certo de que conseguiremos reduzir a mortalidade por câncer de mama em todos os estados, com a utilização de dados mais confiáveis, diagnósticos precisos e tratamentos personalizados

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - ?O Brasil tem enormes desigualdades que refletem na saúde e no tratamento do câncer de mama. Ter dados reais e embasados é fundamental para adequar a terapia. Aqui, informações sobre todos os tipos de câncer são divulgadas pelo Inca. Segundo a entidade, apenas o tumor de mama representa 20% de todos os cânceres no país. A incidência dos tipos da doença é mapeada, entretanto, sem o registro de base populacional.

A conta, feita de acordo com equação entre mortalidade e subterfúgios matemáticos, dá a informação sobre número de novos casos. Tal aspecto suscita questionamento a respeito da confiabilidade de dados do Inca sobre incidência. Com a base populacional, seria possível acompanhar de maneira adequada a incidência e a prevalência, além de saber se estamos avançando ou não em termos do aumento de tumores iniciais e redução dos metastáticos.

A cobertura mamográfica pelo SUS, para mulheres de 50 a 69 anos, varia de 7% no Pará a 33% em Santa Catarina e no Paraná. Estes números do Sismama sustentam aumento perceptível e indicam que entre 2008 e 2012 houve incremento de 12% para 26% dessa cobertura no Brasil. O aumento significa melhora considerável, mas aponta 25% da população feminina que deveria realizar o procedimento e não o faz; além de ser desigual entre os estados.

A desigualdade também poderia ser reduzida caso houvesse mais ferramentas para o tratamento personalizado. Como exames moleculares que são mais específicos e inovadores e auxiliam não só no diagnóstico, mas ao longo da terapia, por beneficiar e selecionar mulheres que não precisariam de quimioterapia, e que se fossem incluídos na saúde suplementar e SUS, proporcionariam economia aos cofres públicos, principalmente em quimioterapia.

Em um futuro próximo, estou certo de que conseguiremos reduzir a mortalidade por câncer de mama em todos os estados, com a utilização de dados mais confiáveis, diagnósticos precisos e tratamentos personalizados.

Ruffo de Freitas Jr é presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia

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