Denise Tinoco: A hora do material escolar

Os abusos continuam e exigirão fiscalização, compras conscientes de todos e denúncia de quem se sentir lesado

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Todo início de ano é hora de organizar a vida dos filhos em idade escolar. Além de atender às exigências dos pequenos nos quesitos mochilas com personagens de desenhos e filmes da moda, os pais precisam encarar as extensas listas de materiais solicitados pelas instituições de ensino.

Para enfrentar esta árdua jornada, sugiro preciosas dicas: não levem os pequenos às papelarias; organizem grupos para compra de materiais por atacado, buscando os descontos concedidos pelas lojas. Outra medida interessante é a troca de livros entre os alunos da mesma escola ou a busca por livros usados, em sebos especializados. Nesses locais é possível encontrar bons títulos.

No entanto, para dar conta das listas escolares é preciso muita atenção e vontade de fazer diferente. Neste sentido, duas leis brasileiras visam a auxiliar na contenção desses abusos cometidos pelas escolas. A primeira foi em 1999, a Lei 9. 870, que normatizou os valores das anuidades escolares e trouxe outras providências. Em 2013, uma segunda lei versou sobre o assunto. De forma complementar, a Lei número 12. 886 desobrigou o contratante de pagamentos adicionais ou fornecimento de qualquer material escolar de uso coletivo.

Examinando algumas listas de materiais escolares, já em 2015, encontrei muitos objetos que são de uso coletivo: lixas, envelopes, fita para impressora, caneta para lousa, palito de churrasco, papel higiênico, cordão, creme dental, fantoches, esponjas, dentre outros. Os maiores abusos são cometidos na educação infantil, mas é comum encontrarmos taxas extras também no ensino Fundamental.

Educadores, pais e donos de instituições de ensino devem rever a forma de encarar o cotidiano escolar. Buscar uma educação mais sustentável, simples e eficaz é uma meta que deve passar pelas listas. Espero que estes materiais, excluídos, não recaiam na conta dos professores, já tão explorados no dia a dia. Enfim, os abusos continuam e exigirão fiscalização, compras conscientes de todos e denúncia de quem se sentir lesado.

Denise Tinoco é professora e pedagoga

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