Paulo Sardinha: Contra a correnteza

As corporações vão precisar de profissionais que saibam lidar com pressão e que tenham inteligência emocional

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Nos últimos anos o país se acostumou a ver a taxa de desemprego diminuir mês a mês. Porém, as incertezas que rondam a economia e o turbulento quadro político brasileiro têm feito com que economistas prevejam um ano com pífio crescimento do PIB, o que inibirá oportunidades para todos os agentes da economia.

É quase certo que o desemprego deve superar os 5%. Vagas de trabalho serão mais escassas, o que fará com que as organizações priorizem a qualidade, e não a quantidade. Redução de investimentos e corte de custos — incluindo as temidas demissões — também costumam ser respostas imediatas das empresas para minimizar o desaquecimento.

Diante desse cenário, a gestão na área empresarial precisará se tornar mais estratégica. Essa conjuntura exige que as corporações coloquem em prática cultura de alto desempenho, nem sempre vista com bons olhos. Ou seja, é o desafio de produzir mais com menos.

De fato, os negócios seguem os passos da economia e as tendências da população. Na política percebemos mudança de paradigma do governo regendo o mercado de trabalho: investimentos na área de consumo estão dando lugar àqueles em infraestrutura. Já há tendência de redução de gastos nas famílias.

Mas nem tudo é nebuloso. A atual conjuntura não exclui a possibilidade de crescimento profissional para quem almeja promoções ou oportunidades na organização em que atua ou em outras organizações, e algumas áreas já apresentam mais valorização no mercado.

Notamos, por exemplo, demanda nos setores de turismo, hotelaria, comércio eletrônico (incluindo tecnologias, serviços e vendas), engenharia, construção civil e logística. Na contramão dos demais setores e das visões mais pessimistas, essas áreas se mostram promissoras.

Porém, em todos os ramos, as corporações vão precisar de profissionais que saibam lidar com pressão, que tenham inteligência emocional, que gostem de inovar e que estejam empenhados em apresentar resultados no curto prazo sem comprometer o futuro. E os gestores terão que saber criar condições para o engajamento dos colaboradores.

Preparem-se. Este será um ano de mar agitado e fortes braçadas contra a correnteza.

Paulo Sardinha é presidente da Assoc. Bras. de RH do Rio

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