Jaguar: Os números redondos de 2015

Contabilizamos 450 anos de Rio de Janeiro, 50 anos de Banda de Ipanema e 90 anos de Lan. Apesar dos altos e baixos, vamos procurar o lado positivo

Por bferreira

Rio - Contabilizamos 450 anos de Rio de Janeiro, 50 anos de Banda de Ipanema e 90 anos de Lan. Apesar dos altos e baixos, vamos procurar o lado positivo. No Rio, falta segurança, sobra violência, não se sabe quanto tempo vão durar água, luz e vergonha na cara, mas podemos ter um consolo e uma certeza: as garotas de Ipanema (e as dos outros bairros) estarão cada vez cada vez mais lindas no doce balanço a caminho do mar. “Na nossa idade — me disse um colega de faixa etária —, lindas ou feias, que diferença faz?” “Sempre nos resta a ereção pupilar”, respondeu um sábio chinês que baixou em mim. Já a Banda de Ipanema, que começou debochando do governo — e isso em plena ditadura militar —, acabou ganhando, ao completar 50 anos, status de, quem diria, patrimônio imaterial da humanidade (ou coisa parecida) e placa inaugurada pelo prefeito na Praça General Osório.

Agora só falta o pessoal da matriarca de todas as bandas do Brasil desfilar de fardão aurirrubro, para não confundirem com os velhinhos da Academia Brasileira de Letras. E chegamos ao Lan. Na verdade, ele só tem altos na sua invejável biografia, de baixo só o Lanzinho, seu alter ego, xodó das cariocas. Todas gostariam de ser paqueradas pelo insaciável baixinho bigodudo. No fundo, elas, as mulheres do Rio — inclusive as brancas — adorariam ser mulatas do Lan. Em recente entrevista, ele resumiu, numa frase genial, a sua vida: “Meu futuro é o meu passado.” Quantos poderiam dizer o mesmo? Essa sacada do Lan me fez descobrir, tarde demais, na véspera de completar 83 anos, uma verdade ululantemente óbvia: o futuro não existe. E, a rigor, nem o presente. No momento em que você está lendo esta frase, ele já faz parte do passado, que, como aprendemos nos boleros, não volta mais.

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Posso imaginar a cena. O pessoal da Beija-Flor estava tomando cerveja num boteco na Avenida Mirandela, em Nilópolis, quando o crioulo-doido — criação imortal de Sérgio Porto — baixou num dos diretores da escola. “E se a gente escolher a Guiné Equatorial para o enredo deste ano?” “Genial!”, disse o Laíla. “Como é que a gente não tinha pensado nisso antes? Liga para o Obiang!” O resto da história, você sabe: deu Beija-Flor na cabeça. Para o Carnaval de 2016, a Beija-Flor deveria pensar grande: em vez de uma obscura ditadura africana, sugiro como tema ‘O Mundo Encantado do Terceiro Reich’.

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