Rio - Há mulheres que são como águias: fixam os olhos no horizonte e saem ao voo em busca do alimento para o corpo e para a alma. Mulheres que batalham, acolhem, estimulam, voam acima dos muitos obstáculos. Perdem penas, garras, bicos, mas nunca a força, a fé, a perseverança e o foco. Acreditam em si. Jamais perdem a esperança. A supremacia da vida materializa-se em suas ações. Quando mães ou professoras dizem aos filhos e filhas, mesmo com olhos marejados, mas com a fé ardente no peito: “Filhos(as), voem atrás de seus sonhos. Acreditem em si.”
Águias voam alto, sempre com olhos e sonhos no horizonte. Não temem, realizam. Assim desejei fazer nos contos de mim mesma. Dizer “acreditem em si, creiam naquilo que fazem e façam com muito amor”. Jamais desistam de seus sonhos! Creiam neles e os transformem em realidade. Assim, fazem muitas mulheres águias, transformando a cada dia com suas ações e palavras, o micro e o macrocosmo. A energia vibra e reverbera transformando o mundo.
Mulheres águias: os sonhos as movem, os valores as orientam. Possuem nortes, princípios, desejos íntimos de realizar algo, de conquistar algo. Se o abismo amedronta, o medo da inércia as apavora. É necessário o voo e a descoberta de novos horizontes para fortalecer as asas das mulheres águias e permitir-lhes a vida e o viver.
Oxalá, benditas mulheres águias que me disseram: “Acredite, você pode!” Senti-me como águia. Eu, com meu corpo com deficiência, limitado por uma doença degenerativa, muitas vezes relutei, senti dores absurdas do desamparo, do preconceito, de pessoas que me ofereciam migalhas e achavam que deveria aceitá-las, resignar-me sendo uma galinha. Mas minha voz interior dizia: “Tenha sonhos, lute por eles, vença as adversidades e realize.” Fui impelida a pular do abismo, e quantos abismos foram, mas voei. Ouvi esta voz interior e muitas mãos acolhedoras que me impulsionaram.
Mulheres (e homens que possuem mulheres vivas em seu coração), vamos abrir nossas asas e voar. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar. Mulheres águias, amem-se absurdamente! Amem absurdamente. Creiam em si! E voem!
Maria Dolores Fortes é autora do ‘O Voo da Águia’