Carlos Erane Aguiar: Fuzil, o inimigo número um

A criação pela polícia de núcleo especializado para combater o comércio ilegal de armas é importante passo

Por bferreira

Rio - O inimigo número um do Rio não é a droga, é o fuzil. A frase do secretário Beltrame ecoa na sociedade como um grito de alerta. Para se ter ideia do poder devastador de um fuzil, seu disparo à queima-roupa é capaz de matar oito homens adultos perfilados. Sua bala atravessa paredes e alcança até oito quilômetros de distância.

Ante esse cenário, nos causam estarrecimento e, sobretudo, grande preocupação dados divulgados pela polícia de que dobrou o número de apreensão de fuzis nos últimos dois meses em comparação ao mesmo período de 2014: 89 contra 44. Apenas no ano passado as forças de segurança tiraram das facções criminosas 256 armas desse tipo.

A criação pela polícia de núcleo especializado para combater o comércio ilegal de armas é importante passo para tentar estancar essa derrama. Quando especialistas advogam a tese de que segurança pública começa nas fronteiras, eles estão cobertos de razão. Por essas ‘portas’ é que entram armas e drogas. Prova disso é que, ainda de acordo com números da polícia, 47% do armamento apreendido vem dos Estados Unidos, passa pelo Paraguai e desembarca no Rio.

Nós, do Fórum Empresarial de Defesa e Segurança da Firjan, entendemos que esse não é mais um problema exclusivo da polícia. O momento requer a efetiva participação de todos os segmentos da sociedade. Em recente participação do secretário Beltrame num encontro realizado pelo Fórum, propomos a criação de comitê que envolva o setor privado e instituições públicas, como o Tribunal de Justiça, para contribuir com esse esforço conjunto. Afinal, a insegurança pode vir a ser um entrave para o desenvolvimento econômico da indústria fluminense e para a realização da Olimpíada e Paralimpíada, em 2016, eventos de grande magnitude e com repercussão internacional.

É inegável que a segurança no Rio evoluiu com as UPPs, que deram novo norte ao enfrentamento da criminalidade. Contudo, a violência que ora assola o estado nos mobiliza, enquanto indústrias do setor de defesa, no sentido de nos engajarmos. Esse não é mais assunto de estado, mas de toda a sociedade.

Carlos Erane Aguiar é pres. do Fórum Empres. de Defesa e Segurança da Firjan

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia