Tânia Rodrigues: Remando contra a maré

Em que espaço cabe a pessoa com deficiência na sociedade? Em que circunstância o deficiente merece e deve ser auxiliado?

Por bferreira

Rio - Em que espaço cabe a pessoa com deficiência na sociedade? Em que circunstância o deficiente merece e deve ser auxiliado? A sociedade está preparada para lidar com a deficiência? Todos esses questionamentos poderiam render intermináveis justificativas. Afinal, as diferentes formas de vivência de cada grupo social, seus valores e suas crenças, acabam por moldar conceitos e preconceitos.

Fraco, incapaz e lento, por exemplo, são alguns dos adjetivos utilizados de forma pejorativa para qualificá-lo.

Ou seja, é aquele que, em tese, não corresponde aos parâmetros de produção. Por essa perspectiva, seriam desvalorizados por evidenciar as contradições do sistema.

Muito há que se fazer pelo deficiente no que tange à conquista de seus direitos como cidadão; o que é um contrassenso, pois temos uma legislação para lá de avançada. Na prática, porém, ela se torna letra morta diante de obstáculos físicos, acessos intransponíveis ou até mesmo falta de espaços adequados no transporte.

A situação torna-se mais dramática quando a Justiça também fica fora do alcance. A imagem que circulou na imprensa do cadeirante Marcos Antônio de Araújo sendo ajudado por um PM para subir a escada do 4º Juizado Especial Criminal do Leblon é um resumo dessa tragédia social. Detalhe: era a terceira vez que ele ia ao prédio, mas o elevador estava sempre quebrado.

E por que digo tragédia social? Porque o Poder Constitucional que deveria garantir os direitos básicos de todos os cidadãos se tornou inviável para o cadeirante. Podemos dizer que é quase excludente. Vale ressaltar que o que está em jogo nesse episódio não é apenas a supressão do direito do acesso à Justiça, mas a próprio desconstrução do sujeito dentro da cidadania.

A inclusão social não é apenas oferecer oportunidades de acesso a bens e serviços aos mais necessitados. Ela também tem que incluir a dignidade, o respeito e a solidariedade para com a pessoa com deficiência. Sem essa compreensão continuaremos , lamentavelmente, remando contra a maré.

Tânia Rodrigues é deputada estadual pelo PDT

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