Hamilton Werneck: Bom para a Educação

Um bom ministro deverá incrementar o avanço das universidades federais para o interior e o saneamento em relação ao sucateamento sofrido pelas universidades antigas

Por bferreira

Rio - Creio que todos os ministros escolhidos para as várias pastas do Executivo federal devem ser pessoas “boas”. Esta afirmação da presidenta da República responde a série de indagações e, ao mesmo tempo, deixa vazio no ar. O que será ser bom para a Educação?

Se um ministro é esperado, entre outras coisas, para fazer ajustes políticos nas bancadas e ser um articulador no entrosamento entre o Executivo e o Legislativo, então ser um “bom” ministro extrapolaria a ação específica conforme cada pasta.

Espero que esta pessoa “boa”, na expressão da mandatária, seja afinada com os avanços que a Educação requer. Nossos problemas são múltiplos e dependem da vontade política dos executivos municipais.

Um bom ministro deverá incrementar o avanço das universidades federais para o interior e o saneamento em relação ao sucateamento sofrido pelas universidades antigas. Um bom ministro, além de ser um articulador entre reitores, precisa com urgência estabelecer pontes que permitam a formação continuada dos professores de nossas graduações, com reflexos diretos sobre os formandos em cada unidade.

Enquanto alguns países já avançam para eliminar as disciplinas e estabelecer currículos com base em fenômenos ou temas transversais, nós ainda engatinhamos no cartesianismo que picota tudo o que encontra pela frente.

Um bom ministro precisaria voltar no tempo para verificar que o Relatório Faure de 1971 não foi colocado em prática e que outro grande estudo, solicitado por Mitterrand e abraçado pela Unesco, conhecido como Religação dos Saberes, coordenado por Edgard Morin, também teve caminho direto para as bibliotecas. O Brasil tem Paulo Freire como patrono da Educação; mas, quando se trata de alfabetizar, o método Freire não é usado, e amargamos quantidade expressiva de analfabetos puros.

A carreira do magistério não é atrativa, e os municípios e estados mal conseguem pagar o piso nacional. Qualquer aumento dependerá ou da federalização dos salários ou de uma reforma tributária. E também nesse aspecto o novo ministro terá que agir.

Um “bom” ministro para nossa Educação terá de ser tudo isso e mais alguma coisa. Não será uma tarefa fácil. Mas, se dele for exigido, além de tudo, ser articulador político, as 24 horas de cada dia não serão suficientes.

Hamilton Werneck é pedagogo e escritor

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