Por felipe.martins

Rio - Na mesma sala estão Ana Maria Machado, Lygia Bojunga Nunes, Ziraldo e, em espírito, Monteiro Lobato. Participam de conturbada sessão de terapia. O time anda depressivo, angustiado e sem saber lidar com o desconhecimento de suas obras e com a falta de interesse e leitura por parte das crianças. Entre lamúrias e desabafos, acompanhados por um psicólogo que não sabe o que fazer, o grupo arquiteta um plano para mudar o cenário, contando com a ajuda de pais e responsáveis. Esta é a sinopse de um dos curtas-metragens que os estudantes do Ensino Médio de uma escola pública do Rio vão produzir em comemoração à data de hoje: Dia Nacional do Livro Infantil, instituído em 2002, em homenagem ao nascimento de Monteiro Lobato, autor do ‘Sítio do Picapau Amarelo’.

Além de possibilitar o ensino e a aprendizagem dos conteúdos do curso técnico de Roteiro, no qual os estudantes estão inscritos, o trabalho realizado na escola tem a proposta de (re)aproximar — de forma abrangente e qualificada — os jovens do universo da literatura infantil brasileira.

A percepção é que eles conhecem uma ou outra história e já ouviram falar de um escritor. Mas, neste exercício, descobrem que há muito mais riqueza do que imaginavam. Tomam ciência da importância da literatura infantil brasileira na constituição de conhecimentos e valores de meninos e meninas e o lugar de destaque que a produção nacional ocupa no cenário internacional. Ana Maria Machado e Lygia Bojunga, por exemplo, já receberam o Hans Christian Andersen, prêmio mais cobiçado da área.

O trabalho também é ponto de partida para outras análises e reflexões. Qual é a importância da leitura na infância? Quem são os heróis infantis? Qual é a interface entre audiovisual e literatura infantil no país? Que tipo de histórias ganham as telas do cinema e da TV? Por que pouco ou quase não se fala da literatura infantil? A ideia e suscitar, nos produtores de conteúdo de amanhã, um olhar para o público infantil que, no Brasil, carece de atenção e projetos envolvendo a literatura. Está aí uma boa proposta para ser replicada nas outras escolas.

Marcus Tavares é professor e jornalista especializado em Midiaeducação

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