Por thiago.antunes

Rio - As recentes notícias envolvendo a política de pacificação apontam para necessidade imediata de rearranjo no projeto e na relação da Segurança com o estado. Ao tomarmos como exemplo o Alemão, palco recente de fatos gravíssimos, como a morte de policiais e moradores, evidenciam-se algumas falhas: a postura autoritária dos militares da UPP, as denúncias de corrupção e a falta de diálogo.

Por parte dos moradores, identifica-se a total perda da esperança. Lideranças estiveram com o governador Pezão — que em discurso pediu a construção de trégua. A resposta? Na semana seguinte, a PM aumentou a presença repressiva com tropas especiais, e o resultado foi a trágica morte do menino Eduardo.

O diálogo proposto pela sociedade civil, no último dia 9, mostrou que a PM precisa de um mediador externo. Outro aspecto está na regulação do espaço público pela corporação — ao fazê-lo, adota como critério a vontade do comandante da UPP. Este é um dos grandes equívocos que vêm gerando mais enfrentamento.

A perda da autoridade da polícia nas UPPs é cada dia mais visível. Podemos colocar como marco inicial desse ciclo o desaparecimento de Amarildo, na Rocinha, e a morte da soldado Fabiana Aparecida de Souza, no Alemão. A partir daí, todas as baixas de policiais e de civis foram minando todo e qualquer resquício de confiabilidade.

A saída para os conflitos não está na retirada das tropas, como muitos querem, mas também não está numa ocupação militar desrespeitosa. Repito: a mediação não pode ter como protagonista a Polícia Militar. Pactos precisam ser produzidos e acordados com reposicionamento da PM no território, com ampla mobilização social e com a retomada de espaços de cultura e lazer. Precisamos fazer um pacto com a presença dos governos estadual, municipal e federal e da sociedade. O primeiro passo foi dado com o diálogo pela vida.

Zaqueu Teixeira é deputado estadual pelo PT

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