Editorial: Justiça com a história para evitar erros

Conhecer profundamente e corretamente os caminhos de pontos marcantes da história do país é cercar-se de sabedoria para evitar erros

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Hoje, a partir das 14h, Tiradentes será ‘desenforcado’. O Poder Judiciário do Estado do Rio presta diferente homenagem ao alferes, ícone da Inconfidência Mineira, num ‘novo’ julgamento. Após a sessão, no Salão Histórico do 1º Tribunal do Júri, cortejo sairá do Fórum até a praça batizada em memória do mártir, vivido por Milton Gonçalves.

A condenação do inconfidente, sabe-se hoje, foi marcada por irregularidades e exageros. A corte que decidiu a sorte do alferes tinha problemas de legitimidade; não obstante, a pena imposta foi a mais dura. Não bastasse o enforcamento, exigiu-se retalhar o corpo do ‘traidor’. Até sal despejaram em suas terras, numa tentativa de apagá-lo da história.

Mas a história, felizmente, sobreviveu aos caprichos tirânicos e, hoje, ganha reparação inédita. Enxergam-se aí algumas semelhanças com o trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que levantou crimes cometidos durante a ditadura. Em ambas as situações, não se busca vingança contra os autores, mas, sim, a reparação dos fatos — saber o que houve e entender quem são vítimas e algozes. Conhecer profundamente e corretamente os caminhos de pontos marcantes da história do país é cercar-se de sabedoria para evitar erros. Sobretudo em tempos onde açodamentos e desejos justicistas tentam calar as vozes democráticas da República.

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