Por paulo.gomes

Rio - A execução do alpinista Ulisses da Costa é mais uma tragédia que choca os cariocas não só pela brutalidade, mas também pelo motivo fútil: um cidadão errar o caminho e entrar numa rua num território proibido, dominado por um poder sangrento. Em verdade, não há internet ou GPS que nos salvem, pois o Rio como um todo virou uma rota nebulosa, na qual a única certeza no caminho é o medo.

O episódio nos faz refletir sobre a que ponto chegamos. Independentemente de haver comunidades com poder aquisitivo menor ou maior, como condomínios luxuosos, fechados ao público, temos o direito de ir e vir garantido pela Constituição. Nada justifica sermos alvejados.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu nem será a última. Em 2013, o engenheiro Gil Barbosa foi baleado na entrada da Maré quando se dirigia ao Aeroporto Internacional. Em 2011, Valdemiro dos Santos foi morto quando ia para casa pela Via Light quando o motorista do carro errou o caminho e entrou no Chapadão. Naquele mesmo ano, um policial foi morto também na Maré.

Isso significa que não há regra ou probabilidade maior ou menor. São mais de mil favelas espalhadas em vários pontos do Rio. Quase 100% delas com a presença de traficantes, mesmo as que já contam com a presença das Unidades de Polícia Pacificadora.

Recentes declarações do secretário de Segurança trouxeram reflexão: ele apontou a necessidade de outros agentes sociais para conter desde moradores de rua que cometem furtos no Centro até a presença de traficantes em comunidades já retomadas pelo Estado. Em verdade, o que ele frisou é o que reivindicamos há tempos, ou seja, só a presença da polícia não dará conta de violência em nenhum lugar do mundo. É preciso empreender outras ações sociais para fortalecer não o relacionamento de moradores com a polícia, mas a cidadania como um todo.

Uma cidade que recebe turistas do mundo inteiro e que sedia inúmeros eventos internacionais não pode ter uma sociedade amedrontada e com a certeza de que a qualquer momento um caminho errado a levará à morte.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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