Por bferreira

Rio - As mudanças por que passa o Rio de Janeiro, desde que se tornou sede dos megaeventos esportivos – Copa do Mundo e Olimpíada – apontam para uma ampliação sem paralelo da privatização e elitização da cidade. Os movimentos nesta direção são tão sistemáticos e organizados que é justo dizer que está em curso um “projeto olímpico” de elevar ao “olimpo” os interesses privados em detrimento dos direitos de todos.

Privatização pelo lado da oferta de equipamentos e serviços sociais por grandes grupos privados, que ganham na construção ou reforma do equipamento e na prestação do serviço, via as Parcerias Público-Privadas. Note-se que muitos dos grupos beneficiados são os mesmos das denúncias de corrupção na Operação Lava Jato.

Os corredores de transporte construídos ou em construção no período — Transcarioca, Transoeste, Transolímpica e Transbrasil — tem a Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes como ponto de partida ou destino. A mesma coisa vale para a Linha 4 do Metro, que completa o percurso da orla carioca, de Ipanema em direção à Barra. Ao mesmo tempo, as construtoras responsáveis pelas obras – notadamente Odebrecht, Camargo Correa, OAS e Andrade Gutierrez — tendem a ser também as operadoras dos serviços.

Vale notar que as obras e exploração do Porto Maravilha que será para consumo de poucos estão a cargo da Odebrecht e OAS, por meio de uma concessão que praticamente transfere para mãos privadas a gestão do território da Zona Portuária. Outro caso que chama a atenção é o da privatização do saneamento da Zona Oeste, que passou da Cedae para o controle da Foz Águas, de propriedade da Odebrecht; e da Águas do Brasil, da Queiroz Galvão. O edital de concessão exclui áreas de favela e loteamentos irregulares, onde se concentra boa parte da população e dos problemas.

Por fim há o caso dos contratos entre a Fundação Roberto Marinho com a prefeitura e o governo do estado. A Fundação tem acordos, com dispensa de licitação, para a restauração ou construção, bem como a gestão dos principais equipamentos culturais: o Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã, ambos na Zona Portuária; e o Museu da Imagem e do Som, em Copacabana.

E é com este “projeto olímpico” que o PMDB do Rio, responsável pelo atual avanço da agenda conservadora no Congresso, pretende se relançar à Prefeitura do Rio ano que vem. E, pior, lançar-se como alternativa no cenário nacional em 2018. Com a palavra, a população do Rio!

João Roberto Lopes Pinto é professor da Escola de Ciência Política da Unirio

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