Rio - Você já pensou o quanto é importante abordar questões de consumo responsável com as crianças? Já parou para refletir que compreender o valor do dinheiro e a real necessidade de ter coisas impacta a relação que a criança de hoje (e que amanhã será adulto) vai estabelecer com o dinheiro e como construirá sua independência financeira? Hoje nossa sociedade quer ter e oferecer aos filhos todos os bens materiais, mas falar em educação para o consumo com eles pode parecer um ato tanto abstrato. Realmente não é fácil educar as crianças para o consumo. Além de questões de ética e moral, hoje é preciso pensar em questões ambientais e de responsabilidade social.
Quantas boas atitudes suas valem R$ 1? Quantos brinquedos antigos valem pela troca de um novo? Meus filhos nunca tiveram tudo que queriam na hora em que queriam, ou porque era caro demais ou porque não era o momento. Se a questão fosse dinheiro, comparava com outro item, dizia que era muito caro e que podiam escolher outra coisa. Assim, aprendiam a negociar e lidar com frustrações, fatores que considero importante para uma vida equilibrada.
A responsabilidade de educar para o consumo consciente não deve ser só da família, mas, sim, compartilhada com a escola, meios de comunicação e envolvidos na cadeia de consumo. O grande vilão não é a publicidade infantil, simplesmente porque existem todos os fatores, e as crianças são parte ativa e integrante da sociedade. São capazes de pensar, refletir, adquirir pensamento crítico e fazer escolhas.
Protegê-las do consumo exagerado e de práticas de mercado abusivas significa fortalecer, empoderar, educar. Garante que possam pensar de forma crítica e independente. Isso sim é permitir que usufruam suas infâncias da maneira mais saudável e segura possível. Só assim seguirão à vida adulta de modo consciente e responsável, criando um círculo virtuoso de consumo e respeito para toda a sociedade.
Marici Ferreira é pres. da Assoc. Brasileira de Licenciamentos